quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Vivendo sem fé num país cada vez mais evangélico


Texto: Joseclei Nunes (Razão e Cultura)

Até pouco tempo atrás em meu facebook, postei uma imagem dizendo que sou feliz sem Deus. Esses tipos comentários, como essa imagem, fez eu perder alguns amigos pessoais. Mas será que num país democrático como o Brasil, não se pode viver sem Deus?

Segundo as pesquisas, o Brasil em 2020, será basicamente a maior religião do país, mas será que isso é bom ou ruim?

O mundo hoje passa por certas tuburlências, onde estão assuntos polêmicos como aborto, homossexualismo, eutanásia e legalização das drogas. Tirando o homossexualismo, os outros temas acabam sendo questão de saúde pública e de violência, mas na visão deles não é de Deus e nada pode ser permitido.

Com isso e com o crescimento de uma bancada, onde foram titulados com o nome evangélicos, eles criam leis em defesa de sua fé e vetam as que são contrarias, mesmo que o Brasil seja laico, muitos lideres acabam pensando antes no eleitorado evangélico, antes de criar ou fazer algo, os que se opõe a eles, acabem sendo hostilizados, enfim demonizados.

Então a cada dia, fica difícil viver sem fé no meio de tanto deles, pois o país em toda sua história, sempre teve certa liberdade religiosa, mas isso vem mudando, pois cidades como São Gonçalo, templos de origens do candomblé e umbanda estão sendo fechados porque o prefeito seria evangélico, bibliotecas são punidas por não terem um exemplar da bíblia e alunos e professores são discrimados em suas escolas por suas crenças.

A ultima agora, foi intitulada como "PEC da teocracia" do deputado e então pastor e tucano João Campos, dando as instituições religiosas o poder de decidir se as leis são constitucionais ou não. Imagina isso sendo aprovado aqui no país?

Um exemplo são os países islâmicos, onde são punidos aqueles que são homossexuais, adúlteros e tudo da base do livro sagrado deles que é o Alcorão. Aqui no Brasil, o movimento pentecostal parece querer fazer a mesma coisa, mais usando a bíblia como sua fonte e encontrando sempre brechas da constituição para vetar leis como o casamento igualitário.

Mas mudando o foco de leis, temos as pessoas comuns, que muitos, acabam se tornando gados desses lideres, onde participam de manifestações que inclui ataques a políticos que defende a causa GLBT e a legalização da maconha. Essas pessoas comuns em dia descriminam aqueles que acreditam em vários deuses ou até mesmo em nenhum e isso parece só tem de aumentar.

Um dia desses também estava lendo na fila do banco o livro do José Saramago – Caim, uma senhora olhou o titulo e na hora tirou um daqueles papelzinho para me entregar, mas será que eles respeitam nossa liberdade? Como outra vez um jovem veio me abortar falando que preciso de Jesus, eu falei que não preciso, então ele começou a rogar pragas, falando que um dia eu ia cair de joelhos pedindo perdão a Deus. Imagina isso quando eles forem a maioria segundo o IBGE.

Além disso, perdir amigos pessoais por não querer opinar da mesma crença que eles e como um pesquisador e gostar de ler desses temas (mesmo sabendo pouco), gosto de expor as minhas opiniões e isso acabar gerando um mal estar entre eu e essas tais amizades, como uma vez que veio até meu Orkut querendo me dar sermão, como não sou de aceitar desaforos, respondi e depois lá se foi mais uma grande amizade.

Mas Jesus dizia: amai-vos uns aos outros e não é basicamente isso que encontramos no seu dia a dia. Pois em todo Brasil, se encontra propagandas em sites, camisas, outdoors onde se você não seguir a mesma fé que eles, você esta endemoniado, te mandam para o inferno, fazem de tudo para que você seja o pior, só pelo simples fato de não ser evangélico.

A cada dia eu me preocupo, quando sofro uma agressão verbal, quando assisto pela TV alguém sendo discriminado só por ser espírita, ateu, da religião-afro e entre outras. O movimento evangélico deixou de ser a tal religião do amor e passou a ser a religião do ódio, da ganância, do poder, da ignorância, onde a todo custo vão querer te converter para num futuro fazer do Brasil uma teocracia e depois fazer o país de volta a idade média implantar de vez, uma inquisição protestante.

Mas será que é disso que precisamos? Hoje podemos mostrar que pode ser digno sem fé, sem Deus e as pessoas que supostamente eram para acreditar em Deus, de base não é assim.

Muitos hoje tentam “sair do armário” falando que é ateu, que é umbandista, mas ainda sofre repressão. As pessoas ainda olham diferente em ambientes de trabalho, de escola. As Igrejas a cada dia impõem suas doutrinas, suas regras. Usam a bíblia, às vezes de forma incorreta para pregar o tal evangelho de Jesus. Muitos também acabam se afastando da religião e acabam sendo pré-julgados como possuído pelo demônio, como ímpio, afastado, mesmo que saia de forma sensata e sábia.

Esse pode ser o nosso futuro, a cada pesquisa, cresce o numero de evangélicos pentecostais e as polemicas tendem a crescer também, agora só basta saber como vamos viver sem fé num país cada vez mais evangélico. Pense nisso...


terça-feira, 8 de novembro de 2011

O fabuloso n.º 1,618 de Fibonacci





Todos nós já ouvimos falar do número Pi: 3,1416... (letra Grega π ou Π que se pronuncia "pi"). É o irracional mais famoso da História, com o qual se representa a razão constante entre o perímetro de qualquer circunferência e o seu diâmetro. Não se deve confundir com o número Phi.


O número Phi (letra Grega φ ou Φ que se pronuncia "fi"), apesar de não ser tão conhecido, tem um significado muito mais interessante.

Durante anos, o homem procurou a beleza perfeita, a proporção ideal. Os Gregos criaram então o rectângulo de ouro. Era um rectângulo no qual havia proporções... o lado maior dividido pelo lado menor e a partir dessa proporção tudo era construído. Assim, os Gregos fizeram o Pathernon... a proporção do rectângulo que forma a face central e a lateral. A profundidade dividida pelo comprimento ou altura, tudo seguia uma proporção ideal de 1,618.

Os Egípcios fizeram o mesmo com as Pirâmides: cada pedra era 1,618 menor do que a pedra de baixo, a de baixo era 1,618 maior que a de cima, que era 1,618 maior que a da 3.ª fileira e assim por diante.

Durante milénios, a arquitectura clássica Grega prevaleceu. O rectângulo de ouro era padrão mas, depois de algum tempo, veio a construção gótica, com formas arredondadas que não utilizavam o rectângulo de ouro Grego.

Mas, em 1202..., Leonardo Pisano ou Leonardo de Pisa (1170 — 1250) - também conhecido como Fibonacci, publicou Liber Abaci. Fibonacci era um matemático que estudava o crescimento das populações de coelhos, criou aquela que é provavelmente a mais famosa sequência matemática: a Série de Fibonacci.

A partir de 2 coelhos, Fibonacci foi contando como eles se aumentavam a partir da reprodução de várias gerações e chegou a uma sequência onde um número é igual à soma dos dois números anteriores:

0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233,...

0+1=1
1+1=2
2+1=3
3+2=5
5+3=8
8+5=13
13+8=21
21+13=34
...
E assim por diante.

Aí entra a 1.ª "coincidência": a proporção de crescimento média da série é... 1,618. Os números variam, um pouco acima, às vezes um pouco abaixo, mas a média é 1,618, exactamente a proporção das pirâmides do Egipto e do rectângulo de ouro dos gregos.

Então, essa descoberta de Fibonacci gerou uma nova ideia da tal proporção que os cientistas começaram a estudar a natureza em termos matemáticos e logo encontraram e descobriram coisas fantásticas.

- A proporção de abelhas (fêmeas) em comparação com os zângãos (machos) duma colmeia é de 1,618;

- A proporção em que aumenta o tamanho das espirais de um caracol é de 1,618;

- A proporção em que aumenta o diâmetro das espirais das sementes de um girassol é de 1,618;

- A proporção em que diminuem as folhas de uma árvore à medida em que subimos em altura é de 1,618;

- E não só na Terra se encontra tal proporção. Nas galáxias, as estrelas distribuem-se em torno de um astro principal numa espiral obedecendo à proporção de 1,618... também.

Por isso, o número Phi ficou conhecido como A DIVINA PROPORÇÃO.

Alguns historiadores descrevem que foi a beleza perfeita que Deus teria escolhido para fazer o Universo.

Por volta de 1500, com a vinda do Renascimento, a cultura clássica voltou a estar na moda... MichelanGelo e, principalmente, Leonardo da Vinci, colocaram esta proporção natural nas suas obras. Mas, da Vinci foi ainda mais longe; ele, como cientista, dissecava cadáveres para medir a proporção do corpo e descobriu que nenhuma outra coisa obedece tanto à DIVINA PROPORÇÃO do que o corpo humano... obra prima de Deus.

Por exemplo:

- Meça a sua altura e depois divida pela altura do seu umbigo até ao chão; o resultado é 1,618;

- Meça o seu braço inteiro e depois divida pelo tamanho do seu cotovelo até ao dedo; o resultado é 1,618;

- Meça os seus dedos, inteiros, dividindo pela dobra central até à ponta ou da dobra central até à ponta dividido pela segunda dobra; o resultado é 1,618;

- Meça a sua perna inteira e divida pelo tamanho do seu joelho até ao chão; o resultado é 1,618;

- A altura do seu crânio dividido pelo tamanho da sua mandíbula até o alto da cabeça; o resultado 1,618;

- Da sua cintura até à cabeça e depois só ao tórax; o resultado é 1,618.

(Considere os erros de medida da régua ou da fita métrica que não são objectos acurados de medição.)

Tudo, cada osso do corpo humano é regido pela Divina Proporção.

Teria Deus usado o seu conceito maior de beleza na sua maior criação feita à sua imagem e semelhança?

Coelhos, abelhas, caracóis, constelações, girassóis, árvores, artes e o Homem; coisas teoricamente diferentes, todas ligadas numa proporção em comum.

Então, até hoje essa é considerada a mais perfeita das proporções. Meça o seu cartão de crédito, largura por comprimento, o seu livro, o seu jornal, uma foto revelada.

(Lembre-se: considere os erros de medida da régua ou da fita métrica que não são objectos acurados de medição.)

Encontramos ainda o número Phi em famosas sinfonias, como a 9.ª de Bethoven e em outras diversas obras.

Então, isto tudo será uma coincidência?...ou será o conceito de Unidade com todas as coisas sendo cada vez mais esclarecido para nós?

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in Wikipédia, a enciclopédia livre:

A proporção áurea ou número de ouro ou número áureo é uma constante real algébrica irracional denotada pela letra grega (phi) e com o valor arredondado a três casas decimais de 1,618. É um número que há muito tempo é empregado na arte. Também é chamada de: razão áurea, razão de ouro, divina proporção, proporção em extrema razão, divisão de extrema razão.

Phi, tem este nome em homenagem ao arquiteto grego Phidias, construtor do Parthenon.


Fonte: gblogvs.blogspot.com

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Antony Flew: o ateu que mudou de idéia





Adaptado por: @RaphaelBH_

Texto: William Crawley
Fiquei triste ao saber da morte, com a idade de 87, do filósofo Antony Flew , que foi um dos contribuintes mais significativos do século 20 para o debate filosófico sobre a crença em Deus. Flew foi extremamente produtivo como um estudioso. Ele escreveu muitos livros outras vezes ensaios, ele publicou artigos tão freqüentes como outros que escrevem comentários. Eu o vi palestrar algumas vezes no final dos anos 90 e foi um dos oradores mais envolventes e animador que eu já ouvi. Ele gostava de fazer a batalha sobre as idéias, a sua formação como filósofo analítico afiado e suas habilidades naturais como um pensador o ajudavam. E ele era amplamente visto como o herdeiro filosófico de Bertrand Russell e um líder ateu público. Ele participou de Debates com CS Lewis em Oxford Clube, e ficou impressionado com Lewis como um pensador, mas não persuadido por sua apologética. Seus livros God and Philosophy (1966) e A presunção do ateísmo (1976) Fez seguidores novos do ateísmo, e deixou exposto que o ateísmo deve ser a posição padrão da pessoa inteligente até que uma prova estabelecida surja ao contrário.


Nos últimos anos, a fama de Flew foi globalizada pela notícia de que ele havia mudado de idéia sobre a crença em Deus. Havia notícias atraentes, sugerindo que um dos maiores líderes do ateísmo mundial havia se tornado um cristão, e contra-alegações de um rapto filosófico de um velho com a diminuição das capacidades intelectuais pelos apologistas cristãos. Em algumas entrevistas, e em publicações posteriores, Flew deixou claro que ele não tinha se tornado um cristão, ele havia se mudado do ateísmo a uma forma de deísmo. Isso é importante: é um erro afirmar que Flew abraçou o teísmo clássico em qualquer forma substancial, mas sim, ele veio a acreditar que apenas um ordenador inteligente do universo existiu. Ele não acredita que este "ser" tinha qualquer agência ainda no universo, e ele manteve sua oposição à grande maioria das posições doutrinárias adotadas pela fé global, tais como a crença na vida após a morte, ou um ser divino que ativamente cuida ou ama o universo, ou a ressurreição de Cristo, e defendeu a idéia de um " aristotélico Deus ". Ele explicou que, como Sócrates, ele simplesmente seguiu a evidência, e as novas evidências da ciência e da teologia natural tornou possível avançar de forma racional na crença em um ser inteligente que ordenou o universo. Em 2006, ele ainda acrescentou seu nome a uma petição pedindo a inclusão da teoria do design inteligente no currículo de ciências do Reino Unido.

Em uma reedição recente de God and Philosophy, Flew adicionou uma nova introdução na qual ele descreveu o livro como "uma relíquia histórica" ​​e estabeleceu uma série de considerações que, ocupou, e minou a força que o livro teve uma vez. Estes incluíram novas versões do argumento do desígnio, a ascensão do argumento antrópico, alguns argumentos oferecidos pelo movimento do design inteligente, Richard Swinburne "trabalhos sobre o conceito de Deus, e David Conway 's de trabalho sobre o conceito de sabedoria.

Consideráveis debates continuavam a assombrar a publicação em 2007 do livro de Flew Há um Deus: Como ateu mais famoso do mundo mudou de idéia. Este foi co-escrito por Roy Abraham Varghese , mas muitos críticos afirmam que Varghese foi o autor principal. Flew declarou que Varghese foi tecnicamente o autor no sentido de que ele construiu o livro e compôs as suas secções, mas ele segurou a fim de que o livro adequadamente resumiu sua própria conversão do ateísmo para o deísmo. Que a conta de "conversão" de Flew contém essa descrição:

"Agora acredito que o universo foi trazido à existência por uma Inteligência infinita. Eu acredito que as leis intrincadas deste universo devem manifestar o que os cientistas chamariam de a Mente de Deus. Eu acredito que a vida e a reprodução são originárias de uma fonte Inteligente... Por que eu acredito, dado que já expus a defesa do ateísmo por mais de meio século A resposta curta é esta: esta é a visão do mundo, a meu ver, que emergiu da ciência moderna. Há Três dimensões da natureza que apontam deus. O primeiro é o fato de que a natureza obedece a leis. A segunda é a dimensão da vida, de seres inteligentes organizados e com propósitos, que surgiu a partir da matéria. O terceiro é a própria existência da natureza. Mas não é só a ciência que me guiou. Eu também tenho sido ajudado por um estudo renovado dos argumentos filosóficos clássicos... Devo salientar que a minha descoberta tem procedido a um nível puramente natural, sem qualquer referência a fenômenos sobrenaturais. Tem sido um exercício no que é tradicionalmente chamado de teologia natural. Em suma, a minha descoberta de ‘’Deus’’ tem sido uma peregrinação da razão e não da fé. "

No entanto, é razoável a pagar mais atenção a determinadas provas, eu acho que Flew se convenceu que a evidência foi um dos principais opositores de uma posição para mudar sua mente. Prestando atenção, não quero dizer que a prova deve ser simplesmente aceita como crédito em causa; apenas, que uma pessoa racional preocupada com provas deve dar-lhe alguma consideração.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Que Aconteceu Antes Do Big Bang? BBC



Postado: @RaphaelBH_





Sinopse :

A teoria que melhor se sustentou nos últimos 50 anos para explicar nosso universo é a Teoria do Big Bang. Há um documentário muito bom com legendas no site, “BBC Lost Horizons – The Big Bang” sobre o que ela diz, e seu histórico. Essa teoria, entre outras implicações, incorre em que tudo veio do nada, e sobre esse outro paradigma há também um excelente documentário no site: “Everything And Nothing”. Mas existem falhas, questões ainda não respondidas, e algumas das mais brilhantes mentes científicas atuais afirmam que o Big Bang sequer ocorreu. Novas teorias são discutidas neste documentário em que são apresentadas alternativas a esse modelo e porque elas seriam mais satisfatórias.

Informações Técnicas :

Título no Brasil: O Que Aconteceu Antes Do Big Bang?
Título Original: What Happened Before The Big Bang?
País de Origem: EUA
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 60 minutos
Ano de Lançamento: 2010
Direção: BBC

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Charles Darwin não era ateu e não era contra o Criacionismo




Postado por: @RaphaelBH_

Este texto de Olavo de Carvalho (Critica a beatificação de Charles Darwin por parte do novo clero cientifico) é interessante porque, em primeiro lugar, desmistifica a ideia de que Darwin foi original na sua teoria, e em segundo lugar porque revela o facto ― que hoje é meticulosamente ocultado ― de que Darwin admitia o criacionismo como causa prima e em conjugação com o evolucionismo. Darwin distinguia claramente a “criação” da “evolução”.

Por outro lado, é preciso referir que Darwin não se assumia como ateu; ele escreveu uma carta a um amigo em 1879 (ver o livro “A Vida e a Correspondência de Charles Darwin”, 1887, publicado do seu filho Francis Darwin):


«Sejam quais forem as minhas convicções sobre este tema [religião], elas só pode ter importância para mim próprio. Mas, já que mo perguntas, posso assegurar-te que o meu juízo sofre, amiúde, flutuações…Nas minhas maiores oscilações, nunca cheguei ao ateísmo no verdadeiro sentido da palavra, isto é, nunca cheguei a negar a existência de Deus.»

Portanto, quem diz que Darwin era ateu, mente. Quem diz que Darwin baseou a evolução das espécies numa causa prima não-criacionista, mente.

O evolucionismo de Darwin circunscrevia-se à Biologia que tenta explicar a evolução dos organismos terrestres, e não à Física ― ou à Filosofia ― que tenta explicar a origem das leis do universo; Charles Darwin fez muito bem essa distinção entre Biologia e Física, coisa que os biólogos actuais, regra geral, não fazem quando transformam o evolucionismo numa doutrina universal ― o evolucionismo é uma generalização da doutrina biológica da transformação da espécie.

Como escreve Olavo de Carvalho, Charles Darwin não foi sequer original na sua teoria: para além do tio de Darwin, o naturalista Erasmus Darwin (referido no texto como sendo “avô”), podemos contar também os nomes de Buffon (1707-1788), o próprio Kant que constatou na sua “Crítica do Juízo” a probabilidade da evolução contínua da nebulosa primitiva até ao Homem, e essencialmente Lamarck (1744 – 1829), para além de Charles Lyell (1797-1875).
Portanto: 1) Darwin foi tudo menos original. 2) Darwin não era ateu, não foi contra o criacionismo, nem era anti-religião.

Nota: quando se fala aqui em “criacionismo”, não me refiro ao criacionismo bíblico entendido de uma forma literal porque sabemos de que se trata de um conjunto de metáforas, mas antes ao chamado “Desenho Inteligente” defendido por muitos cientistas, entre eles o bioquímico e professor universitário, Michael Behe.

Fonte: espectivas.wordpress.com

Como o Universo se formou?

"A opinião pessoal deste artigo não reflete a opinião de todos os integrantes deste blog e outros colaboradores da União Brasileira dos Deístas".





Adaptado por: @RaphaelBH_

Os cientistas fizeram uma importante descoberta em anos recentes. Esta descoberta importante foi que, antes de o Universo ser formado, não havia nada mais. Não havia terra, ar, água e não havia estrelas; nem mesmo o espaço.

Dentro deste imenso vazio, havia um pequeno ponto, tão pequeno que era difícil enxergá-lo. Muitas partículas estavam comprimidas dentro deste ponto. Então em dado momento este ponto explodiu. Quando explodiu, todas as partículas que estavam comprimidas dentro, voaram. Depois disto porções de partículas se juntaram e formaram primeiro os átomos, depois, destes átomos formaram-se as estrelas, o nosso Sol, a Terra e os outros planetas. Os cientistas chamam esta explosão de "Big Bang".

Aqui você precisa pensar numa coisa muito importante. Vamos imaginar que você ponha peças de um quebra-cabeça, ao acaso, dentro de um balão. Depois você enche o balão com ar e de repente você o estoura. Isto quer dizer que o balão "big bangueou" ...

O que acontece com as peças do quebra-cabeça que você colocou dentro do balão? Estas peças podem cair no meio da sua sala formando uma vila bonita, um aeroporto, alguma coisa que você nem saiba manejar? Ou as peças se espalhariam a esmo por toda a sala? Com certeza elas se espalhariam a esmo por toda a sala. Você precisaria juntar as peças para então formar um aeroporto ou uma casa.

Você sabe o que é o Universo? É um espaço sem fim com todas as coisas que ele contém - a Terra, o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas. Mesmo que você ande milhões de quilômetros, não encontrará o fim. Na verdade você só estará encontrando o começo do espaço, porque o espaço é imensamente grande para ser descrito.

A Terra está neste espaço sem limites. Junto com a Terra, estão o Sol, a Lua e as milhares de estrelas que existem no espaço. Então, como todas estas coisas foram formadas? Como surgiu o Sol? Ou, como a nossa Terra surgiu?

Há dois tipos de respostas para estas pergunta.
A primeira é que o Universo sempre existiu, e surgiu por si mesmo. Isto é, muitas substâncias se juntaram por si mesmas, por acaso, para formar o Sol, as estrelas, a Terra, os mares, árvores, rios e montanhas.

Você não acha que este pensamento não tem lógica? Se um amigo seu lhe disser algo assim: "Eu coloquei um pouco de terra, umas pedras e um pouquinho de água numa caixa grande, esperei alguns anos, e então surgiu um computador de dentro desta caixa", você acreditaria nele? Provavelmente você pensaria que o seu amigo está brincando, mentindo ou ficando maluco.


Os evolucionistas contam abertamente uma estória inacreditável como esta. Um computador não pode formar-se por si mesmo como resultado de alguma coincidência. Primeiro, alguém planeja como deve ser um computador e decide quais componentes deverão ser usados. Então, em grandes indústrias, engenheiros, técnicos e centenas de trabalhadores se reúnem e usam imensas máquinas para fabricar o computador. Isto mostra que quando você vê um computador você sabe que ele não surgiu por si mesmo. Não é óbvio que pessoas inteligentes fizeram o computador? O Sol, a Terra e outros planetas são muito maiores que um computador. Então, se há pessoas que fizeram os computadores, tem de haver um poder maior que criou o Universo.

Fonte: harunyahya.com

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Análise: A estrutura financeira das religiões





A religião é uma instituição financeira tanto quanto espiritual. Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam.

Não é surpreendente que as maiores religiões do mundo - Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Budismo e Hinduísmo - promovam a acumulação de riquezas através de seus sistemas de crenças, o que contribui para a prosperidade econômica.
Incentivos espirituais como a danação e a salvação são motivadores eficientes. Por isso, religiões que dão ênfase à crença no inferno são mais propensas a contribuírem para a prosperidade econômica do que as que enfatizam a crença no paraíso.

As religiões que têm foco na crença no paraíso dão mais importância a atividades redistributivas (caridade) para diminuir o tempo das pessoas no inferno e chegar mais perto do paraíso.
Já o incentivo que se baseia na crença no inferno parece mais eficiente para o comportamento econômico, porque motiva os fiéis a trabalhar mais duro para evitar a danação.

Arrecadação
A estrutura organizacional, assim como o sistema de crenças de uma religião, afeta diretamente sua habilidade de arrecadar fundos dos fiéis.
A riqueza das religiões, de maneira muito semelhante à riqueza das nações, depende da estrutura de sua organização. Mas, diferentemente das corporações, as finanças das religiões não são transparentes para o público nem são monitoradas.
Algumas estruturas religiosas são hierárquicas como a da Igreja Católica Romana, com a concentração de riqueza no clero e no Papado. Por contraste, as igrejas evangélicas e pentecostais favorecem um acúmulo de riqueza de pai para filho.
O famoso evangelista americano Billy Graham e seu filho William Franklin Graham 3º, que assumiu a presidência da associação evangelista do pai, são um exemplo de como o poder espiritual e a riqueza de uma religião são mantidos pelos laços familiares.
Fiéis fazem doação do dízimo na Nigéria.
Religiões monoteístas usam a experiência coletiva como forma de pressionar os fiéis para a doação
Outras organizações tendem a ser descentralizadas e comunitárias por natureza, como o judaísmo, com as sinagogas locais mantendo a autonomia sobre as finanças.

Mas as religiões coletivas, como as monoteístas, requerem a crença exclusiva em um só Deus e contam financeiramente com tributos e doações voluntárias de seus membros.

Como consequência, um templo, igreja ou mesquita exerce pressão coletiva e outros tipos de sanções grupais para garantir a ajuda financeira contínua dos fiéis à religião.

No entanto, uma dificuldade constante enfrentada pelas religiões é que muitos membros decidem agir de acordo com sua própria vontade e não dar apoio financeiro.

Outro tipo de estrutura religiosa é a privada ou difusa. Hinduísmo e budismo são religiões privadas, em que os fiéis realizam atos religiosos sozinhos e pagam uma taxa para um monge pelo serviço.

Nestes casos, as atividades religiosas são partes da vida diária e podem ser feitas a qualquer momento do dia. Elas não requerem nem um grupo de fiéis nem a presença dos monges.

Estas religiões privadas tendem a ser politeístas e sustentadas financeiramente pelo pagamento de uma taxa de serviço.

Apoio do Estado
"Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam."
Rachel McCleary
Religiões com muitos recursos, como por exemplo o catolicismo romano e o islamismo, historicamente foram - algumas vezes - monopólios financiados pelo Estado.
A regulação da religião pelo Estado pode reduzir a qualidade das vantagens espirituais na medida em que aumenta a capacidade da religião de acumular riqueza. Mas uma religião subsidiada pelo Estado pode ter um efeito positivo na participação religiosa.

Por exemplo, os governos da Dinamarca, Suécia, Alemanha e Áustria subsidiam muitas religiões para a manutenção de suas propriedades, a educação do clero e os serviços sociais.

Mesmo que isso não necessariamente aumente o número de pessoas que frequentam a igreja, o investimento financeiro do Estado nas instituições religiosas aumentou as oportunidades das pessoas de participarem de atividades patrocinadas pela religião.

Principais Negócios Religiosos no Brasil


Em paralelo, algumas igrejas evangélicas adquirem espaços milionários na grade de TV aberta brasileira e tomam parte em empreitadas que vão desde a construção de grandes templos até participação em empresas de engenharia e de telecomunicações.
Conheça abaixo alguns dos elementos que compõem esse mercado:

Templo de Salomão
Um terreno de 28 mil metros quadrados – área superior à do Parque Buenos Aires, em São Paulo – vai abrigar o Templo de Salomão, a maior construção da Igreja Universal do Reino de Deus.
Trata-se de uma reprodução de um histórico templo israelense, que está em fase inicial de construção na avenida Celso Garcia, no Brás (Zona Leste de São Paulo). Terá, segundo material de divulgação da própria Iurd, altura equivalente a um prédio de 18 andares, poderá abrigar até 10 mil pessoas sentadas e custará entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões.
O recurso virá de fiéis e "admiradores" do projeto, também de acordo com a Igreja Universal.

Telecomunicações e mídia
Imagem digital de como será o Templo de Salomão
Imagem digital de como será o Templo de Salomão, o maior da Igreja Universal
Igrejas e pastores evangélicos detêm dezenas de concessões de emissoras e rádios de TV, além de participação na mídia impressa – um exemplo é a Folha Universal, jornal semanal da Iurd com tiragem declarada de 2,3 milhões de exemplares.
Mas o mais proeminente negócio midiático relacionado aos evangélicos é a Rede Record, controlada desde 1989 por Edir Macedo, fundador da Universal.
Embora tanto a igreja como o grupo midiático sejam do mesmo dono, a Record diz que não sofre interferências da igreja, que é considerada apenas "um cliente" pela emissora.
As evangélicas também adquirem cerca de 130 horas semanais nas grades de algumas das principais emissoras de TV abertas do país – RedeTV!, Record, Band e Gazeta.
Relatos na imprensa dão conta de que o SBT negocia a venda de seu horário da madrugada para a Igreja Mundial; a assessoria da emissora diz que não há nada confirmado.

Produtos de consumo
A Assembleia de Deus oferece dois tipos de cartão de crédito, o Missionário e o Gold, este último dono de um perfil próprio no Twitter. A Igreja Internacional da Graça de Deus lançou o seu cartão de crédito Igreja da Graça. São exemplos de produtos destinados especialmente para o público evangélico.
A empresa Z3, do interior de São Paulo, se especializou em atender esse público, com livros e jogos infantis com histórias religiosas. "Nossa rede tem crescido, então acredito na expansão desse mercado", diz Kátia Vieira, funcionária da Z3. "Todos os dias recebemos clientes novos, quase exclusivamente do público evangélico. Estão sempre à procura de coisas novas."
Loja Z3, na Conde de Sarzedas
Loja Z3, na rua Conde de Sarzedas, tem visto seu movimento crescer

Rua especializada
Uma pequena ladeira no Centro de São Paulo se tornou um ponto de encontro de consumidores e fornecedores de produtos cristãos. A rua Conde de Sarzedas tem dezenas de lojas especializadas, que oferecem de bíblias e CDs a jogos infantis, óleos de unção, produtos com frases que remetem a Deus e pacotes de viagem.
É ali que a cantora Mara Maravilha mantém uma loja, que vende seus CDs e DVDs de música gospel. No andar de cima da mesma galeria, funciona a Terra Santa Viagens, que fecha cerca de uma caravana por mês (com cerca de 50 pessoas) para turismo em cidades como Jerusalém, em Israel, e Belém, na Cisjordânia.
"A procura tem sido constante", diz Fernanda, uma das funcionárias. O principal público, ela acrescenta, é o evangélico.

Feiras setoriais
O empresário Eduardo Berzin Filho trabalha há 15 anos para o público evangélico, com a produção de revistas, sites e programas de TV. Há dez anos, lançou a ExpoCristã, que levou, segundo ele, 160 mil visitantes em 2010 ao centro de eventos do Anhembi, em São Paulo.
O evento reuniu atrações da música gospel, exposição de arte cristã e a venda de livros, produtos especializados e mobiliário para templos. A edição de 2011 da ExpoCristã está marcada para setembro.
ExpoCristo, em Curitiba (Foto: Divulgação)
ExpoCristo é realizada há sete anos em Curitiba (Foto: Divulgação)
Evento semelhante é realizado há sete anos em Curitiba por Jôfran Alves, que com sua esposa criou a ExpoCristo. A edição mais recente ocorreu em julho, também com atrações musicais, editoras, gravadoras, e até empresas que prestam serviço de segurança para templos. A ideia é atender bem a um "público que consome de tudo", como o cristão, segundo Alves.

Mercados fonográfico e editorial
Há poucos dados disponíveis sobre os segmentos de livros evangélicos e de música gospel, mas há indícios de crescimento e alta no consumo.
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) diz que a produção de livros religiosos cresceu 39,2% em 2010 em comparação com número anterior, dado que inclui livros católicos – o crescimento, inclusive, foi puxado por um livro do padre Marcelo Rossi.
A CBL não tem dados específicos sobre o mercado editorial evangélico, mas percebe crescimento.
"Nossa percepção é de que o público evangélico tem grande participação, e é crescente", diz à BBC Karine Pansa, presidente da Câmara. "Isso se dá pela cultura de ter uma bíblia para cada pessoa, de ter bíblias específicas, e pela vontade que esse público tem de aprender."
Sobre o mercado fonográfico gospel, a Associação Brasileira de Produtores de Discos diz não ter dados específicos, mas alguns dados confirmam a força do segmento.
Bíblias na rua Conde de Sarzedas
Mercado editorial segmentado também tem crescido
Aline Barros, uma das mais conhecidas cantoras gospel, contabiliza 3,6 milhões de acessos em seu canal no YouTube. Damares, outro nome famoso desse mercado, vendeu 170 mil cópias de seu último CD e recebeu discos de ouro e platina. André Valadão tem nove CDs e cinco DVDs gravados em sete anos de carreira solo.

Serviços de apoio
Para amparar a construção de templos e sua gestão, foram criadas empresas e entidades que prestam serviços especializados.
Algumas têm elos com as próprias igrejas – caso do Engiurd, o Departamento de Engenharia da Igreja Universal do Reino de Deus, criado para "otimizar recursos em nossos processos de construção, reforma e manutenção de templos", segundo o site da empresa.
Outras entidades prestam serviços para diferentes congregações. É o caso da Sepal (Servindo aos Pastores e Líderes), que ensina técnicas de liderança e gestão de negócios para pastores e líderes religiosos e comunitários, além de realizar pesquisas para identificar regiões "com necessidades missionárias e sociais" que podem ser atendidas por congregações.

Fonte: BBCBrasil

Na India o milionário negócio dos gurus


Líderes espirituais não são novidade na Índia onde há mais deles per capita do que em qualquer outra nação do planeta.
Mas o que mudou recentemente é que não falamos mais apenas de um sistema de crenças e fé pessoal. É uma indústria em expansão avaliada em milhões de dólares.

Hoje há inúmeros produtos derivados que vêm destes gurus, como CDs de música e vídeos, turismo e canais de TV até portais espirituais que permitem aos fiéis um contato maior com seu deus pela internet.

A sede do império de Sri Sri Ravi Shankar ocupa um área impressionante de mais de 40 hectares na cidade de Bangalore, no sul da Índia.
Seguidores do guru Sri Sri Ravi Shankar
Milhares de seguidores são atraídos até o complexo para ver o guru
Há um grande Ashram onde os sábios vivem em paz, vários "centros de recursos" e uma escola veda (escrituras que forma a base do hinduísmo). O local tem também uma grande cozinha que alimenta cinco mil devotos por dia.

Andando pelo complexo, outra coisa que impressiona é grande variedade de produtos desenvolvidos, como protetores solares, shampoos e remédios.

O professor e escritor Dipankar Gupta vem seguindo esse fenômeno de fusão entre religião e espiritualidade que ele chama de "indústria de vários milhões de dólares" que inclui alguns gurus muito ricos.

Sri Sri Ravi Shankar, por exemplo, foi classificado pela revista Forbes como ocupando a oitava posição entre os líderes indianos mais importantes.

Fonte: BBC

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ateísmo < Deísmo > Religião

Texto: Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)

Recentemente tive uma conversa com um amigo on-line sobre crenças religiosas. Ele é um mórmon e para minha surpresa, mesmo que ela sabia que eu não era cristão, estava interessado na minha “religião”. Depois que eu expliquei a ele o que é deísmo, o próximo comentário fora de sua boca era "Então você é ateu?"

Não. Eu não sou um ateu. Eu sou um deísta. Há uma enorme diferença. Ateísmo ensina que Deus não existe. Deísmo rejeita as revelações do "das religiões, mas não rejeitam a Deus.
A atitude de ateu simplesmente não aceitar as coisas como cognoscível é perigosa para o progresso da humanidade. Muitas coisas não foram cognoscíveis no passado que são conhecíveis hoje. De uma só vez os europeus acreditavam que era impossível saber o que estava do outro lado do Oceano Atlântico, mas eles estavam errados. À medida que aprendemos mais sobre as ciências, estamos aprendendo mais sobre o Poder de colocar esses princípios em prática. Um Ser eterno, como Thomas Paine disse, "cujo poder é igual a Sua vontade."

Uma vez que temos passado esse estágio, ela se tornou cada vez mais interessados ​​na base do deísmo, que é muito simples. Deísmo ensina que você deve seguir o seu Deus lhe deu capacidade de raciocinar, em vez de formar superstições, e "ter fé". Deísmo não faz nenhuma reivindicação razoável. Religiões reveladas incentivam as pessoas desistirem, ou pelo menos suspender a sua capacidade de raciocinar, chamando a de fé. Não é muito lógico acreditar que Moisés abriu o Mar Vermelho, que Jesus andou sobre a água, ou que Maomé recebeu o Alcorão de um anjo.

Então ele perguntou como eu poderia acreditar em um Criador, que recuou de sua criação? Eu amostrei então esta citação.

Deísmo diz que a racionalidade é a razão que leva a Deus. Para o deísta, a evidência é a criação e a idéia de o que trouxe sobre a evidência é o Criador. Não há absolutamente nada conhecido pelo homem que criou em si. Por exemplo, se alguém nos mostra um computador, e nos diz que todas as peças individuais que compõem o computador só veio por acaso, de que alguma forma, formado em um sistema e funcionando perfeitamente por si mesmo, seria tolo para acreditar nessa pessoa. A razão não nos deixa acreditar que uma declaração como essa. Da mesma forma, se alguém nos diz que a criação é cada vez maior em sua perfeita ordem "aconteceu" por acaso, estamos sob nenhuma obrigação de acreditar neles. De nossa própria experiência sabemos que tudo quanto foi por um criador. Por que então a própria criação será diferente?

Depois disso, ela me perguntou sobre o Céu e o Inferno. É muito simples. Para um deísta, não sabemos o que acontece depois que morremos, nós não sabemos se há um céu ou um inferno. Ela ensina que a morte é uma parte da criação, e que não devemos preocupar com isso. Deísmo ensina que devemos trabalhar duro para melhorar a vida e também apreciá-lo aqui e agora. Porque devemos nos preocupar sobre a morte quando temos tanta coisa para fazer na vida?

Depois da nossa longa conversa, eu ainda acho que ele acredite que eu seja um ateu, como a maioria das pessoas que acham que a pessoa esteja na categoria de ateus.

"É muito mais confortável ser louco, do que ser saudável e ter dúvidas de alguém."

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Fé e Conhecimento

Tradução: Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)

"Fé" uma das muitas razões que alguns se voltam para o ateísmo ou Agnosticismo e é porque eles não querem seguir. Deístas e teístas têm um ditado que diz sobre isso: "Eu não tenho fé suficiente para ser ateu." Embora possa parecer apenas uma linha humorística e retórica, que faz repousar sobre uma boa parte do valor.

A questão é esta: Os ateus dizem: "Não podemos acreditar em Deus porque isso é um ato de fé, e só devemos acreditar no que a ciência e a lógica nos diz." O Teísmo responde: "Como você sabe que a ciência e a lógica é a descobertas de seres humanos  estejam corretas? "Para isso, o ateu rapidamente responde:" Porque, (1) faz sentido, (2) não há evidência para provar as conclusões científicas, e (3) qualquer outro princípio arbitrário tentando explicar por que a ciência é verdade. "E, finalmente, o teísta, mais uma vez diz:" Mas como você sabe que todas essas coisas que você diz são precisas? "No final, este ciclo continua até que o ateu está cansado dele e diz: "Olha, é apenas a verdade, ok?

A triste verdade é, a crença em princípios científicos e da razão humana exige fé tanto quanto acreditar em um livro sagrado. Na verdade, todo o nosso conhecimento pode ser reduzido a esse cenário simples. Conclusões científicas repousam em pressupostos científicos, religiosos e conclusões em suposições religiosas, apoiando em conclusões morais, premissas morais, e assim por diante. Essa é apenas a maneira que é.

A razão para esta circularidade inevitável é que nós seres humanos estamos dentro de um sistema. Nós não podemos ver este sistema a partir do exterior, de modo que não podemos verificar e ver se ele é composto externamente, só podemos determinar se ele é internamente consistente. Portanto, as nossas conclusões sobre esse sistema só pode ser baseada em (1) a consistência interna dessas conclusões, e (2) a consistência dessas conclusões com o que pensamos que percebemos. Não há maneira de nos aproveitar algum poder temeroso ou ter uma visão especial de saber, com certeza, que estamos certos. Você acabou de viver com ela.

No entanto, devemos distinguir entre a fé cega e fé responsável. O argumento de que a fé e a base de todo conhecimento não implica que não há problema em apenas acreditar no que quiser, porque podemos implicar que temos de ter cuidado para colocar as nossas suposições e tirar nossas conclusões de forma responsável.

Assim, os teístas fazem a suposição de que um livro é santo, e chegam as conclusões religiosas com base nisso. Deístas e ateus têm fé na ciência, acreditamos que a ciência é muito mais internamente consistente e coerente com o que nós pensamos e que nós percebemos. A diferença entre nós é que chegamos a conclusões diferentes com base nestes pressupostos teístas e deístas que ao levar o que temos a concluir que Deus existe, enquanto ateus pegam o que eles têm e concluir que ele não o faz.

Considerando as implicações práticas desta abordagem baseada na fé a tudo. Geralmente temos fé em nossos cinco sentidos, especialmente os de tato e na visão. Mas quando vemos uma ilusão de ótica, estamos totalmente convencidos de que nós vemos algo que, na realidade, é bastante diferente. Isso demonstra que mesmo as coisas que nós tomamos para concedido e assumir para ser exato são baseados na fé, e que temos fé que nem sempre é correta.

Combine tudo isso, você pode ver a falha na lógica dos ateus, só porque a ciência não “prova” empiricamente que Deus existe isso não significa que ele não faz. Na verdade, a ciência está continuamente mudando e evoluindo à medida que aprendemos (ou pensamos que aprendemos) coisas novas sobre o cosmos. A história da ciência é feita com revoluções como muitos que existem na história da política. Independentemente do que você acredita, pensa, ou sente e não importa quanto você tente negar, você não pode escapar da necessidade da fé.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Liberdade religiosa e política





A Cambridge University Press reactivou a sua colecção de biografias de grandes filósofos, na qual há uns anos tinha editado a biografia de Hobbes, da autoria de A. P. Martinich. No espaço de um ano foram publicadas biografias académicas de Nietzsche, Hegel, Kant e Kierkegaard. A biografia de Espinosa da autoria de Steven Nadler, que agora sai em Portugal, coincidiu praticamente com a de Gullan-Whur, na Pimlico. É espantosa a vitalidade editorial da biografia filosófica inglesa.


Espinosa nasceu em 1632 e morreu com apenas 45 anos. Viveu toda a sua vida nos países baixos, em Amesterdão, Rijnsburg, Voorburg e Haia. Ao contrário do mito que o rodeia, não era um solitário que polia lentes e escreveu em reclusão a sua magna obra. Esta ideia popular acerca dos filósofos, aliás, raramente corresponde à verdade; como afirma Mary Warnock, "os filósofos são por natureza faladores e epistolares; só raramente preferem sentar-se a pensar, isolados dos seus pares". Espinosa mantinha muitos contactos intelectuais e tinha muitos amigos — o que explica aliás o rápido aparecimento, logo após a sua morte, da Ética, uma das obras mais importantes da filosofia ocidental.

O avô de Espinosa era lisboeta e viveu alguns anos na Vidigueira, no Alentejo. Mas foi obrigado a fugir para Amesterdão quando a louca perseguição portuguesa aos judeus se tornou intolerável. Espinosa, todavia, haveria mais tarde de provocar nos próprios judeus o mesmo tipo de fervor religioso que levou a sua família a ser expulsa de Portugal: foi expulso da comunidade judaica e o texto dessa excomunhão é das coisas mais violentas que já li. Religião e tolerância têm tendência para ser como azeite e água: não se misturam.

Espinosa falava português e esta era a língua que se falava em sua casa e nas ruas de Amesterdão, que acolhia uma enorme comunidade judaica proveniente de Portugal. A língua usada nos estudos bíblicos era o hebraico, e o latim era a língua da literatura, da cultura e da ciência em geral. Espinosa dominava todas estas línguas, além do holandês e do espanhol. A sua obra foi escrita em latim, e traduzida para holandês. Durante a sua vida, Espinosa só publicou duas obras.


Os Princípios da Filosofia de Descartes (1663), de Espinosa, é uma exposição "geométrica" da filosofia de Descartes, e foi publicada a pedido dos seus amigos e correspondentes. Esta obra granjeou-lhe logo uma boa reputação entre os livres-pensadores. Efectivamente, Descartes representava na altura a novidade perigosa do pensamento filosófico. Representando um corte profundo com a tradição escolástica anterior, não aceitando argumentos de autoridade e estando aberta aos últimos desenvolvimentos científicos da época, a obra de Descartes era vista com maus olhos e era comum ser leitura proibida nas miseráveis universidades holandesas da altura. E se pensarmos que a Holanda era um dos países mais liberais da Europa, consegue-se perceber melhor o contexto intelectualmente sufocante em que Espinosa viveu. Este contexto, aliás, viria a influenciar decisivamente as suas ideias políticas e religiosas, sendo um defensor intransigente da liberdade religiosa e de pensamento. Por vezes, as pessoas perguntam-se para que serve a filosofia por desconhecerem que muitos dos valores e instituições que herdámos são o fruto, precisamente, do pensamento filosófico mais esclarecido.

Mas a obra que projectou Espinosa além-fronteiras como um filósofo de primeira linha foi oTractatus Theologico-Politicus (1670). É nesta obra que Espinosa defende exaustivamente a liberdade religiosa e política, usando o seu conhecimento profundo do Velho Testamento para pela primeira vez analisar de um ponto de vista histórico o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia.

Espinosa faz parte do grande trio de racionalistas modernos, juntamente com Descartes e Leibniz. Trio este que é habitual opor ao trio de empiristas modernos: Locke, Berkeley e Hume. A filosofia contemporânea é na sua maior parte o fruto da filosofia empirista, mas as suas tremendas limitações estão a tornar-se cada vez mais evidentes e assiste-se hoje a uma reabilitação tímida da filosofia racionalista. A diferença que opõe as duas correntes é esta: enquanto para os racionalistas o conhecimento mais nobre e certo tem origem na razão apenas, os empiristas defendem que a razão nada pode descobrir que não tenha origem nos dados dos sentidos. A grande dificuldade da filosofia racionalista é explicar exactamente como conhecemos, sem recorrer à experiência, as grandes verdades sobre o mundo. E era neste ponto que os empiristas sempre insistiam na sua oposição ao racionalismo. Mas é cada vez mais evidente hoje que a filosofia empirista é incapaz de explicar a origem empírica até de verdades como "Todo o objecto verde tem cor", quanto mais de aparentes verdades substanciais como "A água é necessariamente H2O". Kant foi a primeira tentativa de fundir o racionalismo com o empirismo, mas falha precisamente por conduzir ao idealismo e à ideia absurda de que o mundo é uma construção nossa.

As razões que levaram Espinosa a ser excomungado são relativamente simples. Sendo um crente, Espinosa cedo percebeu que a concepção judaica (e cristã) de Deus é absurda. A expressão "o deus dos filósofos" foi usada pela primeira vez para falar do conceito de Deus de Espinosa. O deísmo posterior, muito popular durante o Iluminismo, é um descendente um pouco desfigurado do deus dos filósofos. Espinosa não acreditava na imortalidade da alma, nem nos milagres, nem num deus estilo juiz de última instância, de barbas brancas, sentado num púlpito. Espinosa achava que estas eram formas humanas primitivas de representar Deus. E também não tinha em grande conta as instituições religiosas, com os seus rituais, proibições, hierarquias e anátemas. Não admira que tenha sido rapidamente expulso e encarado como ateu. A concepção que Espinosa nos oferece de Deus é demasiado abstracta para responder às ansiedades dos crentes, que querem precisamente o colorido dos milagres, a maravilha das tarde tranquilas do paraíso a coser meia, e um deus-pai que olha por nós e garante que os mauzões são castigados e os bonzinhos têm direito à sobremesa — e tudo isto sem exigir de nós o esforço de pensar. Esta teologia barata está nos antípodas do conceito de Deus de Espinosa, que era apenas a manifestação da estrita necessidade das leis do universo.

Para Espinosa, tudo o que ocorre está determinado pelas leis necessárias da natureza. E Deus mais não é do que esta natureza inexorável. O pensamento modal de Espinosa é tipicamente racionalista. Como Leibniz, Espinosa defende que só o nosso conhecimento imperfeito nos faz pensar que há contingências no mundo, isto é, coisas que acontecem mas poderiam não ter acontecido. Este tipo de concepção da natureza modal do mundo contrasta fortemente com a concepção empirista segundo a qual, pelo contrário, tudo quanto acontece é perfeitamente contingente. Assim, Espinosa diria que quando chove isso é um acontecimento necessário, fruto das leis inexoráveis da natureza, apesar de poder parecer perfeitamente contingente. Ao passo que um empirista como Hume diria que quando um cometa passa pela trajectória previamente calculada isso é um acontecimento que poderia perfeitamente não ter acontecido, só o nosso fantasioso hábito mental de pensar em termos causais nos faz ter a ilusão de que se trata de um acontecimento inteiramente determinado por causas anteriores.
Bento de Espinosa
A vida de Espinosa é uma das mais obscuras. Pouco se sabe dele, do que fazia, ou até qual era a sua aparência. Há um único retrato da época, que surge na capa desta biografia de Nadler, mas pensa-se que não terá sido pintado na presença de Espinosa. Os seus dois biógrafos recentes, Nadler, que acaba de ser editado entre nós, e Gulan-Whur, editada em língua inglesa pela Pimlico em 2000, resolvem este problema de modos distintos. Gulan-Whur dá asas à imaginação e à inferência ousada. Nadler, mais comedido, aproveita para nos apresentar uma história pormenorizada dos tempos de Espinosa, dos seus correspondentes e amigos.

Há qualidades de Espinosa, todavia, que transparecem em ambas as biografias. Espinosa era afável, cultivava a amizade, tinha um grande amor ao conhecimento, e era um talentoso geómetra. O que mais impressionou este crítico, todavia, foi a sua tranquila força de vontade. Espinosa partilha com Schlick e Pitágoras a honra pouco invejável de ter sido dos poucos filósofos da história a ser vítimas de um atentado à sua vida. Mas ao contrário de Schlick e Pitágoras, Espinosa escapou com vida. Na verdade, pouco se sabe deste episódio. Aparentemente, um judeu mais fervoroso achou por bem endireitar as linhas tortas em que Deus escreve, de navalha em punho, mas falhou. Até este incidente capaz de fazer qualquer pessoa mudar de rumo não deteve Espinosa.

A mãe de Espinosa morreu quando ele tinha 6 anos e o seu pai quando ele tinha apenas 22. Herdou o negócio do pai e geriu a coisa o melhor que conseguiu, mas cedo deixou o negócio para se dedicar ao estudo. É um caso raro de alguém que renunciou realmente aos bens materiais para se tornar filósofo. Viveu o resto da vida de forma muito modesta, mas, tanto quanto se sabe, relativamente confortável. Alguns amigos e correspondentes ajudavam-no quando podiam. E vivia de dar explicações. Granjeou fama também como polidor de lentes, um trabalho onde podia aplicar os seus conhecimentos de óptica.

Descartes é um dos filósofos mais claros e lógicos da história, mas Espinosa levou a exigência de rigor de Descartes às últimas consequências. Concebeu a filosofia como uma espécie de geometria, com os seus axiomas, postulados, teoremas, corolários, definições e proposições. Não se pode dizer que o resultado tenha a elegância ática de Descartes ou Russell, mas é sem dúvida um monumento a uma forma rigorosa de pensar filosoficamente.

Espinosa começou por estudar profundamente Descartes. As suas explicações sobre a filosofia cartesiana eram célebres e atraíram um grupo de estudantes entusiásticos. Mas o pensamento de Espinosa cedo começou a tornar-se autónomo. E mais uma vez foram os seus amigos e estudantes que o estimularam, lendo criticamente os seus manuscritos, levantando-lhe dificuldades, pedindo-lhe esclarecimentos.

Depois da sua morte, Espinosa foi durante um século o bobo da corte: o filósofo mais comentado e menos lido. Bayle, Hume, Berkeley e Locke sentiram necessidade de mostrar que as ideias ateias de Espinosa eram tolas e que nem mereciam atenção. Mas, de todos, só Bayle mostra ter lido realmente o filósofo, apesar de o ter interpretado mal. Kant, no seu imenso estudo, ignora Espinosa. E até Leibniz, que chegou a visitar Espinosa, tratou de tentar que as suas ideias fossem apagadas da história. Mas as ideias são viroses que podem adormecer durante séculos para voltar a acordar com mais força. Lessing, em 1780, choca os seus pares declarando-se discípulo de Espinosa. Goethe apaixona-se pelas ideias do judeu. E só então se começa a fazer alguma justiça ao pensamento de Espinosa — pelo menos no sentido de se ler a sua obra com atenção.

É impressionante o resultado do preconceito religioso. Só porque Espinosa defendia uma versão extremamente abstracta de Deus, era considerado ateu. Porque não acreditava na vida além da morte, era considerado uma ameaça. Porque achava que era a vida terrena que devia ser bem vivida, era considerado uma ameaça à ordem social. Contudo, Espinosa era apenas um investigador honesto, que procurava a verdade e defendia as suas ideias com o mais importante instrumento inventado por mão humana: a argumentação cuidada. A melhor homenagem que podemos prestar a Espinosa não é, pois, a repetição acrítica das suas palavras, as interpretações interpretantes, a desocultação das vertentes ocultas do seu pensar, mas antes a simples discussão crítica, directa e clara das suas ideias — o que os seus próprios amigos faziam, para seu deleite.

Fonte: criticanarede.com
 

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