sábado, 17 de maio de 2014

Sobre o Ópio, o Placebo e a Humanidade

Sobre o Ópio, o Placebo e a Humanidade


Reflexões sobre citações de gente real e inventada

Embora conhecida, a ideia da frase não é original de Karl Marx.


Apesar da ideia original da famosa frase não ser de Karl Marx, ela ficou mais conhecida quando ele editou o livro de Hegel, juntamente com Arnold Roge, "Crítica da Filosofia do Direito de Hegel".

"— A religião é o ópio do povo". Karl Marx (Ou seria Hegel?)

Já em 1840, Ludwig Börne escreveu em seu ensaio: "Bendita seja uma religião, que derrama no amargo cálice da humanidade sofredora algumas doces e soporíferas gotas de ópio espiritual, algumas gotas de amor, fé e esperança".


Drogas sempre foram uma fuga da realidade.

O ópio é uma droga derivada do bulbo da papoula. É utilizada desde a Antiguidade. Na época em que a famosa frase foi escrita, o mundo estava vivendo o que chamamos de Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra. Karl Marx e seu discípulo, Hegel, eram críticos ferrenhos da burguesia e do estilo de vida miserável que esta revolução burguesa estava causando aos chamados proletariados.

Alguns filósofos e cientistas sociais chegam a afirmar que a Revolução Industrial foi apenas uma modificação da escravidão em que a rotina de trabalho extenuante dos operários assemelhava-se a situação escravizada, mesmo que com o pagamento de salários ínfimos, que não davam conta de cobrir os gastos de uma vida minimamente decente.

Não existiam formas de entretenimento em massa, como é o caso da televisão e internet nos dias de hoje, e mesmo que existissem — pouco provavelmente a população teria condições de custear esse tipo de atividade. Os abastados tinham acesso a todos os tipos de clubes da época e também faziam uso de vários tipos de drogas alucinógenas, sendo o ópio a mais conhecida e utilizada por quem podia pagar por esse tipo de de "recreação".



Para o povo, restava apenas reunir-se, nos poucos momentos de descanso, em igrejas, nos cultos e missas para "ouvir a palavra do Senhor" e contribuir com o que tinham para o dízimo. Mesmo as contribuições individuais sendo tão magras, as Igrejas não a recusavam, pois é evidente que o montante final devia ser bastante substancial. (Impossível não lembrar da passagem bíblica da mulher que deu todo o seu pouco e que os ricos não vão entrar no céu e que é tão utilizada para arrancar mais alguns vinténs dos incautos, mas isso é assunto para outra publicação).

Então, surgem as frases relacionando a religião como sendo o ópio do povo, denunciando-a como uma fuga da realidade. Uma válvula de escape para a vida difícil que as pessoas levavam (e levam). Podemos condená-los? Obviamente que não. Além de não terem consciência de sua situação, cada pessoa enfrenta as dores da vida à sua maneira e como podem.


Os criadores do personagem 'House', deram-lhe várias falas polêmicas como esta.

Nos dias atuais, os criadores do personagem Dr. House colocaram em sua boca a frase: "Religião não é o ópio da massa, é o placebo dela", referindo-se indiretamente à frase conhecida.

Hoje em dia, acredito que somente os fanáticos religiosos podem ser colocados no grupo de pessoas que usam a religião como fuga da realidade e para aquele que procuram algum tipo de cura, é muito pertinente a frase que insere a palavra placebo.

Placebo, na maior resumo possível, é todo medicamento ou procedimento inerte, que não tem efeito. A comparação com as religiões é uma maneira de demonstrar que, dependendo os casos, é possível curar pela fé — por acreditar que está sendo curado.

Acho que é por isso que os religiosos repetem tanto que Jesus falava "Vai, a tua fé te salvou".

Irônico, não é mesmo? Estranhamente, todas as doenças e problemas que supostamente são curados pela religião ou por qualquer fé, são mazelas que podem ser curadas por placebo. Eis alguns exemplos:

Alcoolismo, drogadição, depressão, ansiedade, psicoses, bipolaridade, paralisia histérica, epilepsia, hanseníase (lepra), cânceres, pressão alta, gripes e resfriados, entre outros males do organismo e da psicologia, mas jamais da fisiologia.

Isso explica dois fatos: De pessoas terem bebido água e dizerem que era um bom vinho, na passagem do milagre do vinho e do fato de Jesus nunca ter realizado um "milagre" como a devolução de um membro amputado.

Tudo o que a pessoa afirme que foi curada através da fé é alvo das religiões, bastando assim apenas convencer as pessoas de sua suposta cura. 

Mas agora fica a pergunta:

Consideremos que parcelas da população possuem um malefício psicológico, como um vício, depressão ou um desvio comportamental qualquer e, suponhamos, depois de passarem a frequentar uma religião, acreditam e se comportam de maneira sadia, podendo inclusive desfrutar de reintegração social, isso justificaria a existência das religiões? 

Sim ou não? Justifique sua resposta nos comentários.

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