terça-feira, 11 de outubro de 2011

As origens do Deísmo



Durante o século XVII o protestantismo desenvolveu um sistema ortodoxo de doutrina para ser aceito intelectualmente. Gerando assim um novo escolasticismo, particularmente entre os luteranos da Alemanha, os quais estavam mais interessados na teologia do que na prática da vida cristã.

O racionalismo aparece então, e se desenvolve nos séculos XVII e XVIII, se expressando através do deísmo como resposta a este escolasticismo. O deísmo criou um sistema de fé num Deus transcendente que abandonou sua criação ao governo das leis naturais descobertas pela razão. Deus se torna ausente. Para o deísmo Deus está acima e além da Sua criação.

Seus Ensinos

O deísmo parecia estabelecer uma religião ao mesmo tempo natural e científica. Uma religião sem revelação escrita, enfatiza o céu como uma realidade totalmente distinta da terra com a lei moral. Os deístas ensinavam que as leis naturais da religião eram encontráveis pela razão - era a crença num Deus transcedente entendido como Causa Primeira de uma criação marcada pelas seqüências de um plano. Eles criam que Deus deixou sua criação reger-se por leis naturais; assim, não havia lugar para milagres, nem para a Bíblia como revelação de Deus, nem para providência ou para Cristo como um Deus-homem. Somente Deus deveria ser cultuado pois Cristo era simplesmente um mestre. A piedade e a virtude eram o culto mais importante que se podia prestar a Deus, cujas leis éticas estão na Bíblia. O homem tinha que arrepender-se do erro e viver conforme as leis éticas, pois a alma é imortal e está sujeita a recompensa ou ao castigo depois da morte.

Líderes do movimento

Edward Herbert, Lord de Cherbury (1583-1648), apresentou os pontos básicos que pode ser resumido na seguinte frase: Deus existe, e pode ser cultuado pelo arrependimento e por uma vida de tal modo digna, que a alma imortal possa receber a recompensa eterna em vez do castigo. Charles Bloynt (1654-1693) foi outro deísta influente. John Tolarndt (1670-1722), Lorde Shaftesbury (1671-1713) e outros pregaram que o cristianismo não era um mistério e poderia ter sua autenticidade verificada pela razão. E tudo que não pudesse ser provado pela razão deveria ser recusado.

Difusão do deísmo

No século XVIII difundiu-se na França, pois encontrou nos filósofos deste século um ambiente propício. Alguns deístas ingleses., como Herbert e Shaftesbury, foram à França e tiveram seus livros traduzidos e publicados amplamente; e também alguns deístas franceses, entre os quais Rousseau e Voltaire, também foram à Inglaterra. O deísmo de Rousseau foi desenvolvido no Emile e o de Voltaire está em todos os seus escritos contra a Igreja e a favor da tolerância.

A imigração de deístas ingleses, a divulgação dos escritos deístas e a presença de oficiais deístas do Exército Inglês nos Estados Unidos durante a guerra de 1756-.1763, ajudaram a introduzir o deísmo nas colônias. “A Idade de Razão”, de Paine, (1795), contribuiu para popularizar essas idéias deístas.

O deísmo fracassou, pois o mesmo foi muito criticado, dezenas de livros foram escritos nos quais se discutiam suas teses. Porém, o que por último fez com que o deísmo perdesse o ímpeto foram os ataques do filósofo escocês David Hume.
O termo deísta tornou-se raramente utilizado, mas as crenças deístas, suas ideias e influências não. Elas podem ser vistos no século XIX na teologia liberal britânica e na ascensão do Unitarianismo, que adotou muitas das suas crenças e ideias. Mesmo hoje, há um número significativo de sites deístas.

Vários fatores contribuíram para um declínio geral na popularidade do deísmo, incluindo:o surgimento, crescimento e propagação do naturalismo e do materialismo, que foram ateístas; os escritos de David Hume e Immanuel Kant (e mais tarde, Charles Darwin), que aumentaram dúvida sobre o argumento da primeira causa e do Argumento Teleológico, transformando muitos (embora não todos) potenciais deístas ao ateísmo ou panendeísmo; perda de confiança em que a razão e o racionalismo poderiam resolver todos os problemas; críticas de excessos da Revolução Francesa; críticas que o livre pensamento levaria inevitavelmente ao ateísmo;
uma campanha antideísta e anti-razão de alguns clérigos cristãos para caluniar o deísmo e equipará-lo com o ateísmo na opinião pública;
revivalismo de movimentos cristãos que afirmavam que uma relação pessoal com uma divindade era possível.

OBS: " A palavra (deísmo, observação nossa) vem do latim Deus, 'deus'. Os socinianos introduziram o termo no século VI. Porém, veio a ser aplicado a um movimento dos séculos XVII e XVIII, que enfatizava que o conhecimento sobre questões religiosas e espirituais vem através da razão, e não através da revelação, que sempre aparece como suspeita e como instrumento de fanáticos e de pessoas de estabilidade mental questionável. 1. Essa circunstância outorga-nos a característica básica do deísmo: um conhecimento adquirido através da razão, e não através da revelação. A isso chamamos de religião natural, em contraste com a religião sobrenatural…" (R.N. CHAMPLIN. Deísmo. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.2, p.38).

1 comentários:

  • 15 de abril de 2013 18:50

    Eu penso que o deísmo não fora criado, na minha concepção o deísmo fora acontecendo; fluindo e desde sempre, digo que não podemos afirmar quando surgiu a filosofia deísta.

    É evidente que alguns “lideres” perceberam isto e em determinada data difundiram o conceito, mas devemos levar em consideração as liturgias, ou seja, qual foi a primeira escrita deísta? Onde o deísmo aparece na história da humanidade de forma relatada? Tudo bem, sabemos que a revolução protestante ajudou em muito a difundir o deísmo, mas acredito que muito antes disto, muito antes mesmo a filosofia deísta se despontara, embora talvez não soubéssemos na época defini-la.

    Lembro-me de uma estória... “um soldado romano, na Judéia, na época de Cristo, não acreditava em nenhuma religião, até porque o ateísmo era clássico entre os romanos, porém, este soldado também não acreditava que o Cesar (imperador) seria um Deus o que também era clássico, não preciso dizer que esse soldado teve vários problemas dentro das tropas romanas, fora julgado e condenado a crucificação, já na cruz ele teve sua última chance de aceitar o Cesar como Deus, entretanto ele disse que acreditava em Deus, indagado, não soube como defini-lo.”

    Bom, se é uma estória verídica? Não sei e sequer me importa, o que me importa é a essência da estória, este soldado teve personalidade e atitude de conceber suas próprias concepções, não sei qual era seu “Deus”, mas também não importa, o que importa segundo a estória que sua morte influenciou vários outros romanos durante anos, dizem até que Constantino em seu leito de morte fora por sua estória influenciado, embora seu último ato como Cesar tenha sido proclamar a nação romana uma nação cristã e católica; há controvérsias? Sim, mas isso é política e já é outra estória.

    Enfim, eu percebo em minhas leituras e pesquisas que o deísmo há muito já era evidente, de uma forma ou de outra, depende muito da percepção e interpretação da época. Encontro relação deísta em vários aspectos políticos e religiosos em datas muito antigas e até fora do eixo europeu é claro que o deísmo do século XVI e XVII tomava outros rumos e surgia uma definição próxima da razão e sua essência.

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