terça-feira, 3 de março de 2015

Uma História de Deus (Karen Armstrong)

Karen Armstrong, inglesa, é uma teóloga e ex-freira católica, que deixou a Igreja e se tornou deísta. Autora de muitos livros sobre Deus e sobre as buscas espirituais da humanidade, Karen é também professora de Literatura e de Teologia da Universidade de Oxford, Inglaterra. Atua como mediadora da ONU nos conflitos entre as religiões. Abaixo, a capa e o sumário de um dos livros dela - um livro no qual ela nos explica a história dos conceitos e ideias sobre Deus, desde o politeísmo mais arcaico até o Deísmo, passando, como não poderia deixar de ser, pelas religiões abraâmicas. Karen,com muito jeito, apresenta aos crentes do deus antropomórfico de Abraão uma nova maneira de pensar sobre o Criador - uma maneira de pensar que entre nós se convencionou chamar de "deísmo". Uma leitura que temos o prazer de recomendar aos nossos amigos deístas e a todos os interessados pelo tema das ânsias espirituais do mundo.


UMA HISTÓRIA DE DEUS


- Karen Armstrong - 


SUMÁRIO:

Capítulo 1. No começo

Capítulo 2. Um único Deus

Capítulo 3. Uma luz para os gentios

Capítulo 4. Trindade: o Deus cristão

Capítulo 5. Unidade: o Deus do Islam

Capítulo 6. O Deus dos filósofos

Capítulo 7. O Deus dos místicos

Capítulo 8. Um Deus para os reformadores

Capítulo 9. Iluminismo

Capítulo 10. A morte de Deus?

Capítulo 11. Deus tem futuro?

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Karen Armstrong 

ÚLTIMA PÁGINA DA OBRA "UMA HISTÓRIA DE DEUS":

"... Nos Estados Unidos, vimos que 99% da população diz crer em Deus, mas a predominância do fundamentalismo, apocalipsismo e formas carismáticas de religiosidade 'instantânea' no país não é nada tranquilizante. A escalada da taxa de criminalidade, vício de drogas e a ressurreição da pena de morte não são sinais de uma sociedade espiritualmente saudável. Na Europa, há um crescente vazio onde antes existia Deus na consciência humana. Uma das primeiras pessoas a expressar essa árida desolação foi Thomas Hardy. Em 'The Darkling Thrush' [O Tordo do Crepúsculo], escrito a 30 de dezembro de 1900, na virada do século XX, ele expressou a morte do espírito que não era mais capaz de criar uma fé no sentido da vida:

'Encostei-me na entrada de um bosque
Quando a geada era cinza-espectro
E fiapos do inverno tornavam desolado
O definhante olho do dia.
Os enredados ramos das trepadeiras riscavam o céu
Como cordas de liras partidas,
E toda a humanidade que andava perto
Buscara a lareira de suas casas.

Os nítidos traços da paisagem pareciam ser
O consumido cadáver do Século,
A cripta o nublado dossel,
O vento o lamento fúnebre.
O antigo pulso de semente e parto
Encolhera e estava duro e seco.
E todo espírito sobre a terra
Parecia tão sem fervor quanto eu.

De pronto ergueu-se uma voz entre
Os sombrios galhos acima
Numa brava oração da tarde
De alegria ilimitada;
Um velho tordo, frágil, esquálido e pequeno,
A plumagem arrufada,
Decidira assim lançar sua alma
Na crescente escuridão.

Tão pouca causa para cantorias
De tão extático som
Estava escrita nas coisas terrestres
Longe ou próximas em volta,
Que eu pensei que vibrava ali em meio
Àquele alegre ar de boa-noite
Alguma bendita esperança da qual ele sabia
E eu não.'

Os seres humanos não podem suportar vazio e desolação; enchem o vácuo criando novos focos de sentido. Os ídolos do fundamentalismo não são bons substitutos para Deus; se queremos criar uma nova fé vibrante para o século XXI, devemos talvez estudar a história de Deus, em busca de algumas lições e advertências."

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