domingo, 21 de dezembro de 2014

Não há razões válidas para crer no cristianismo


"Alegações extraordinárias 
requerem evidências 
extraordinárias" 
(Carl Sagan) 


Eu não sou cristão. Considero Jesus como uma mera lenda, e lamento cada minuto de minha vida que tive a desgraça de perder seguindo essa lenda. Se escrevo estas linhas é para ajudar a você, caro leitor, a renunciar também a essa lenda. 

Se você é cristão, então me responda, caro leitor: por que você crê no cristianismo? quais os motivos, as razões que o levam a afirmar com toda a certeza a veracidade das afirmações sobrenaturais do cristianismo?...

Sim, porque "FÉ" é isso: ter certeza da veracidade das alegações sobrenaturais de uma religião. É algo, portanto, de natureza essencialmente intelectual. Você olha para o conjunto de uma doutrina religiosa e diz: "É verdade, tenho certeza disso" - isso é a fé. É a adesão intelectual a uma doutrina sobrenatural. No caso do cristianismo, isso significa acreditar, com certeza total, que a bíblia é "a palavra de Deus", que Jesus é Deus, que em Deus há três pessoas distintas em identidade embora iguais em natureza e substância, que Jesus voltará sobre as nuvens para julgar a humanidade, etc. (E esse "ETC." varia quase que infinitamente entre as diversas seitas do cristianismo...) 

Para você ser cristão é preciso que você acredite, com toda a certeza, em pelo menos algumas dessas alegações sobrenaturais típicas do cristianismo. Se, porém, você não acredita nas alegações sobrenaturais do cristianismo, mas vê o cristianismo apenas como uma espécie de 'movimento filantrópico', 'escola filosófica', 'cultura antiga' ou 'clube social', você simplesmente não é um cristão no sentido clássico do termo, e eu não tenho nada a me opor a você. Um cristianismo des-sobrenaturalizado - tal qual, por exemplo, aquele proposto por nosso adorável Augusto Cury em seus vários livros sobre Jesus (que protestantes e  carismáticos lêem sem entender que não há uma gota sequer de 'fé' envolvida nesses escritos) - , um cristianismo des-sobrenaturalizado repito, na realidade não é mais cristianismo. Alguns autores modernistas, tal qual o Padre Roger Lenaers, dizem que "Outro Cristianismo é Possível", mas esse, analisando-se bem, seria um cristianismo tão diferente do original que nem seria conveniente dar-lhe esse nome. 

Bem, mas supondo que você seja um cristão 'clássico' mesmo, daqueles que acham, ou melhor (pior...), têm certeza, que a bíblia é "A Palavra de Deus", que Jesus é "O Salvador", etc., diga-me, com sinceridade, POR QUE  você acredita nessas coisas? 

Se você me disser que "a  fé é um mistério, o qual dispensa indagações e raciocínios, uma graça mística", você não estará respondendo à minha pergunta, e estará me deixando com todo o direito de chamar a sua querida 'fé' de irracionalidade, de pura bobagem, de conversa fiada. Se não há evidências da veracidade da sua religião, então crer nela é um ato de ingenuidade, de sentimentalismo, de superstição, e não de inteligência. 

Eu o desafio a questionar, a indagar, as razões pelas quais você crê no que crê...

Não adianta você dizer que crê porque a bíblia diz para crer - isso seria você tentar usar como prova precisamente o que está ainda por ser provado... 

PROVAS caríssimo: tudo o que quero são provas. 

PROVE-ME  que a bíblia é "a palavra de Deus"; PROVE-ME que Jesus é Deus encarnado; PROVE-ME que as alegações sobrenaturais de sua religião são verdadeiras.

Quero PROVAS, EVIDÊNCIAS, DEMONSTRAÇÃO. 

Sem isso, meu caro, é impossível crer na sua religião sem estar sendo irracional, sem estar sendo, me desculpe, um tolo...

Aqui você talvez, para criticar minha atitude, me venha com a estória (e não história, porque se trata apenas de uma lenda), de São Tomé, a quem Jesus teria dito: "Creste, Tomé, porque viste; bem-aventurados, porém, os que não viram, e ainda assim crerem". Respondo-lhe, então, que de fato essa citação ilustra bem o espírito de cegueira irracional da sua 'fé' - sem contar que possivelmente essa frase foi escrita no Evangelho precisamente pensando-se em motivar gerações inteiras de crentes a deixarem de questionar porque crêem: uma sacada genial de espertalhões superinteressados em explorar a ingenuidade do povo...

Deixe eu lhe dizer, meu amigo, o que é a sua tão adorada bíblia: 
- o Antigo Testamento é uma invenção dos judeus, uma compilação das lendas de seu povo; nada mais que isso. 
- o Novo Testamento é uma invenção da Igreja Católica: esta, no século III, na pessoa do bispo de Roma (o Papa), resolveu escolher, dentre os vários escritos de cristãos disponíveis até então, alguns para com eles formar um livro só, e assim nasceu o Novo Testamento; pura invenção dos católicos portanto. (Se você é protestante, e detesta a Igreja Católica como é de praxe no protestantismo, então uma sugestão especial para você: jogue no lixo a sua bíblia, pelo menos o seu Novo Testamento, porque ele tem tanto valor quanto a Igreja que você detesta - afinal ela é a inventora dele...)

Como se pode entender facilmente pois, a bíblia não passa de uma obra humana, meramente humana, sem nada de 'sobrenatural' nela. Um livro como qualquer outro. Por que ver nela uma 'revelação divina'? Por que achar - digo, ter certeza - que ela é "A Palavra de Deus"? E olhe que nem vou esmiuçar aqui a questão das contradições, erros e barbaridades contidas na bíblia, que nos levam a pensar que, se houvesse realmente um Deus por trás desse livro, Ele seria um monstro, um louco ou um imbecil...

Mas, meu querido, como eu ia dizendo no começo deste artigo, assim como você, eu também fui um piedoso cristão, até o dia 25 de dezembro do ano passado (2011), quando renunciei a Jesus. E, como cristão, eu pesquisei profundamente os argumentos que pudessem existir a favor do fé cristã. Pesquisei e meditei... Mas, no fim, vi que eles não justificavam o ato de afirmar, com certeza, a veracidade das alegações sobrenaturais do cristianismo. E se os "argumentos" do cristianismo não nos permitem ter certeza da veracidade deste, então a fé cristã se torna impossível - a menos que você queira fingir que tem certeza, como, aliás, sei que muitos cristãos escolhem fazer, por comodidade ou por medo. 

Vou lhe dar agora uma lista dos doze principais argumentos utilizados pelos apologistas cristãos para defender a hipótese da veracidade das alegações sobrenaturais do cristianismo. Ajuntarei a cada um deles uma breve resposta... 

- Argumento 1: Os Milagres. Eis aí o "selo de Deus" sobre o cristianismo... 
Resposta: Inúmeros desses 'milagres' se resumem a lendas sem qualquer comprovação - a 'ressurreição' de Jesus, por exemplo. Sabemos, também, o quanto fraudes são perfeitamente possíveis. Sabemos, ainda, que fenômenos que a Ciência não explica hoje, pode vir a explicar amanhã, visto que este é o curso normal do conhecimento. Por fim, como saber que os tais 'milagres' não são obra de espíritos maus querendo enganar os homens, e, inclusive, cercando-se de todos os cuidados imagináveis para garantir a trapaça?... (Leia mais sobre isso aqui.) Os 'milagres' são, pois, um "selo" muito duvidoso, e um selo dúbio, um selo que pode perfeita e facilmente ter sido adulterado, falsificado, não pode servir como comprovação...
Alguns complementos para você conferir sobre isso:
- A origem diabólica dos milagres do cristianismo (ou seja, refutação da "prova" dos milagres a partir do ponto de vista da própria teologia: parte 1 e parte 2
Um milagre oficialmente reconhecido é mesmo 'milagre'?
O valor probatório dos milagres

- Argumento 2: O Testemunho dos Apóstolos. Eles deram a vida por afirmar que viram o que viram, e testemunhas que estão dispostas a morrer pelo que dizem, são dignas de crédito. Ademais, o que eles teriam a ganhar inventando tudo isso?... 
Resposta: Em primeiro lugar, tudo o que nos sobrou do 'testemunho dos apóstolos' foi aquilo que seus seguidores, ou melhor, os líderes destes últimos, quis que sobrasse, e sobre o que ainda vieram a pesar séculos inteiros de fanatismo e falta de espírito crítico. Ou seja, não nos sobrou nada que se possa afirmar, com certeza, que veio realmente dos apóstolos. Nada sabemos sobre eles que não tenha podido ser 'enfeitado' com lendas... Depois, reflita nestas possibilidades: e se os apóstolos tiverem sido vítimas dos enganos de maus espíritos? E se os apóstolos tiverem sido vítimas de uma alucinação coletiva no domingo da páscoa, julgando ver Jesus ressuscitado? E se sobre esta alucinação original algumas outras lendas, tais como a aparição de Jesus a Tomé ou a aparição pós-páscoa em que Jesus come com os apóstolos, tiverem sido criadas por outros cristãos posteriormente? Os evangelhos nos mostram os apóstolos mais ou menos céticos a respeito da ressurreição de Jesus, mas será que foi assim mesmo? Ou será que os apóstolos eram uns bobalhões predispostos a ver fenômenos sobrenaturais em toda parte, tal como certos pentecostais de hoje em dia? Não os conhecemos para poder atestar que eram mesmo dignos de crédito... Pode ser também que eles tenham decidido, sim, transformar Jesus, mentirosamente, em um ser especial: o que os impediria de mentir? Sabemos como a natureza humana é... A bíblia diz que outras mais de 400 pessoas também viram, juntas, Jesus ressuscitado - mas, cadê as provas desse evento?... Tudo se perde nas brumas de uma antiguidade à qual não temos acesso a não ser através de textos que podem não conter a verdade sobre os fatos... E sobre o que os apóstolos teriam a ganhar com isso tudo, pense bem: eles estariam reparando o fiasco da morte de seu mestre, e transformando uma derrota num sucesso, uma vergonha numa glória; estariam adquirindo seguidores, muitos seguidores, e o dízimo e a obediência destes...; estariam, de certa forma, se vingando dos fariseus que mataram seu mestre; estariam se tornando pessoas "especiais", veneradas por uma multidão de seguidores - e nós sabemos como a vaidade é poderosa...; estariam, por fim, deixando um nome célebre ao morrerem - e nós sabemos como, para os antigos, isso era superimportante: os heróis morriam contentes desde que isso significasse o nome deles continuar a ser lembrado mesmo por muito tempo após a sua morte... Será que não dá pelo menos pra desconfiar?... O 'testemunho dos apóstolos' constitui-se, pois, uma base demasiadamente recheada de incertezas para que possamos nos apoiar sobre ela... 

- Argumento 3: A Perfeição da Doutrina. Só de um Deus nos poderiam vir tais ensinamentos...
Resposta: A criatividade humana é mais do que suficiente para explicar a invenção da doutrina cristã... Além do que, a doutrina cristã, tal como a conhecemos hoje, não nasceu pronta: foram séculos e séculos de evolução até chegar aqui - tempo mais do que suficiente para fazer alguns aprimoramentos, não acha?... Ainda assim, porém, há falhas evidentes nessa doutrina: os absurdos da bíblia, por exemplo... E a moral cristã não tem nada de realmente 'elevado' que a Filosofia não nos pudesse dar sem ter de recorrer a nenhuma 'revelação'. Digo, de "realmente elevado", porque há várias bobagens nessa 'moral' que não passam de complexo de culpa, complexo de inferioridade, recalques sexuais, de intolerância com a opinião dos outros, etc. É preciso estar cego por uma lavagem cerebral bem feita para achar 'elevada' e 'sapientíssima' a doutrina cristã... 

- Argumento 4: A constância dos mártires. Só com a ajuda divina eles poderiam suportar o que sofreram...
Resposta: Inúmeras lendas foram criadas em torno dos antigos mártires... Não sabemos, pois, se eles foram, de fato, torturados como se conta. Nem se foram tão 'firmes na fé' como se afirma. Nem se o número deles foi tão grande como se insinua. E fanáticos sempre, em todos tempos, foram perfeitamente capazes de sofrer e dar a vida por suas crenças - os fakirs e os homens-bomba que o digam... Além do que, coloque-se uma certa dose de masoquismo em questão, ou mesmo o exibicionismo e vaidade de se saber um "mártir" que será venerado por gerações inteiras daí em diante, e fica facílimo entender a questão... 

- Argumento 5: Os Santos. A virtude dos Santos prova que Deus está com o cristianismo...
Resposta: A virtude dos Santos, quando real, só o que prova é que eles eram pessoas boas. E pessoas boas têm havido em todas as religiões e, sem sombra de dúvida, fora delas também. Mas, veja bem, muitas vezes o que os cristãos chamam de "virtude" em seus "Santos" não passa de desequilíbrio mental: as penitências, a auto-humilhação, o perfeccionismo minimalista e escrupuloso, o ficar rezando sem parar, o zelo fanático pelo proselitismo religioso (a 'virtude' principal dos missionários), a obsessão doentia com o que chamam de 'castidade', etc. Os "Santos" não passam de vítimas perfeitas da religião, que esta agora ainda tem a cara-de-pau de nos propor como "modelos", depois de ter destruído a vida deles... Absolutamente, Deus não está nessas insanidades!

- Argumento 6: A propagação e durabilidade do cristianismo. Só sendo de Deus esta obra poderia ter se propagado como se propagou e perdurar como perdura, apesar de seus inimigos. 
Resposta: O cristianismo se propagou imensamente, num primeiro momento, entre os oprimidos do Império Romano, porque lhes oferecia conforto psicológico ("Jesus te ama!") em meio àquele clima de desprezo que pesava sobre eles. Só isso já explica a propagação e durabilidade inicial do cristianismo. E depois, na medida em que este foi se tornando a religião predominante, razões de interesse (político, econômico e social) também entraram em jogo. Por fim, uma vez que o cristianismo já era a "religião de estado", nada mais fácil entender sua propagação e continuidade. Ademais, o simples fato duma "obra" se propagar imensamente e ser duradoura não quer dizer que seja verdadeira em suas alegações sobrenaturais: ou deveríamos dizer que o critério para saber a verdade é a "maioria"?... Muitas são as religiões contrárias ao cristianismo e, todavia, propagadas mundialmente e com numerosos adeptos. E o que isso prova a favor da sobrenaturalidade delas? Nada. O mesmo se diga do cristianismo. 

- Argumento 7: Os frutos do cristianismo. Uma árvore se reconhece pelos frutos...
Resposta: Todas as religiões têm produzido "frutos" bons e maus, demonstrando, assim, que são humanas, meramente humanas, pois é próprio do ser humano esse contraste de acertos e erros, qualidades e defeitos. Com o cristianismo é assim também: seus adeptos fizeram muitas coisas boas no decorrer dos tempos, tais como construir hospitais, orfanatos, instituições beneficentes, etc. Mas também fizeram muita coisa ruim: cruzadas, inquisição, guerras de religião, censura à liberdade de pensamento e de imprensa, perseguição acirrada aos judeus, submissão rebaixante da mulher, demonização da sexualidade, aterrorizamento das consciências com ameaças de 'fogo eterno', exploração financeira dos povos através dos dízimos,  justificativa da escravidão, provocamento de insanidades mentais em muitas pessoas, etc. Houve e há pessoas muito boas entre os cristãos, mas também houve e há entre eles criminosos, mentirosos, gananciosos, falsos milagreiros, etc. É uma obra humana mesmo - é só isso o que seus "frutos" nos autorizam a constatar... 

- Argumento 8: Os Sábios e Doutores. Tantos cérebros privilegiados da humanidade já compartilharam da fé cristã, que esta só pode ser verdadeira.
Resposta: Nada impede que estes Sábios tenham se equivocado neste assunto. Ou que tenham, por interesse, fingido a sua fé - afinal, os tempos não eram propícios ao ceticismo... O fato, porém, de Sábios terem crido no cristianismo por si só não basta: seria preciso ouvir os argumentos deles, as justificativas que teriam a dar para a sua fé. E os argumentos deles não passavam dessas mesmas coisas que vimos analisando aqui neste artigo, ou seja, os mesmos argumentos clássicos da apologética cristã. Sábios também podem ser enganados, principalmente se o engano já vem sendo condicionado no cérebro deles desde a sua mais tenra infância... Sábios também podem ser, ao mesmo tempo, sentimentalistas... Sábios, numa palavra, não são infalíveis. 

- Argumento 9: A utilidade social e ética do cristianismo. Precisamos afirmá-lo e mantê-lo pelo bem da sociedade. 
Resposta: Isso não prova nada a respeito da veracidade das alegações sobrenaturais do cristianismo. E vale ressaltar que tudo o que os adeptos do cristianismo fizeram de realmente bom, a mera filantropia poderia e pode fazer igualmente. Os "valores éticos" reais pregados pelo cristianismo, podem igualmente ser ensinados pela Filosofia. Que necessidade temos, pois, do cristianismo?... Se podemos nos apoiar sobre a Razão, por que continuarmos a nos apoiar sobre lendas? Já é, portanto, passada a hora de lançar fora este traste velho e inútil e imundo que se tornou o cristianismo...

- Argumento 10: A Aposta de Pascal: Ou o Cristianismo está certo ou não está. Se estiver certo, ganharei muito por tê-lo seguido. Se não estiver, não perderei nada por tê-lo seguido. Logo, na dúvida é melhor ser cristão...
Resposta: "Se papai Noel existe, e acreditamos nele, no natal ele entrará pela nossa chaminé para colocar presentes debaixo da árvore. Se papai Noel existe, e não acreditamos nele, ficamos sem presentes. Se papai Noel não existe, e acreditamos nele, nada perdemos. Se papai Noel não existe, e não acreditamos nele, nada ganhamos. Portanto, a opção mais vantajosa, em todo caso, é acreditarmos no papai Noel" (André Cancian)... Essa aposta de Pascal evidentemente não prova nada a respeito da veracidade das alegações sobrenaturais do cristianismo. E quem fosse cristão apenas por causa dela não estaria tendo 'fé', porque a fé é precisamente uma certeza, não uma mera aposta, uma loteria... E, segundo o cristianismo, morrer sem essa 'fé', essa certeza, mesmo que se tenha vivido exteriormente como cristão, é ir pro inferno tanto quanto não ser cristão de modo algum. Logo, essas aposta de Pascal é uma bobagem. Ademais, será que realmente 'não se perde nada' ao se ser cristão? Ora, só o tempo que você teria de perder com orações, cultos, sacramentos, com os deveres de religião enfim, ao longo de toda uma vida, já seria algo bem considerável... Acrescente-se a isso os riscos psicológicos que você estaria correndo: complexos de culpa e de inferioridade, escrúpulos, melancolia, paranoias, obsessões, etc. Veja quantas vidas o cristianismo tem destruído ao longo da história: esses milhares e milhares de sacerdotes, freiras, monges, etc, todos dedicando-se integral e apaixonadamente a uma lenda... E eles praticamente não tiveram escolha: eram crianças ou jovenzinhos quando fizeram uma lavagem cerebral neles, que os arruinou pelo resto da vida... Que desgraça maldita é o cristianismo! Louvado seja Deus por me haver livrado dessa maldição! 

- Argumento 11: O Argumento de Chateaubriand: A Beleza do Cristianismo. Tanta beleza só pode vir de Deus...
Resposta: A criatividade humana é mais do que suficiente para explicar eventuais traços de beleza nas lendas, ritos e costumes do cristianismo. E a arte produzida pelos artistas cristãos, tais como Michelangelo e Bach, só o que prova é a genialidade pessoal desses mesmos artistas, e nada mais que isso. Aliás, não é nem necessário ter 'fé' para apreciar a beleza dessas obras de arte. Assim como também não é necessário crer na mitologia greco-romana para apreciar a beleza que envolve a ela e à cultura por ela animada. 

- Argumento 12: O Argumento dos Modernistas: A Experiência Pessoal Interior e Inefável. 'Sentimos' a revelação cristã em nosso coração, logo ela é, para nós, verdade...
Resposta: Isso é a mais pura besteira sentimentalista que existe - como, aliás, o reconheceu oficialmente a própria Igreja Católica, na pessoa de seu Papa São Pio X... Nossos sentimentos são perfeitamente explicáveis psicologicamente, nada havendo de sobrenatural neles. Eles não provam nada, absolutamente nada, portanto, a respeito das alegações sobrenaturais do cristianismo. 

Bem, mas chegando ao final deste artigo, o que quero pedir a você, caro leitor cristão, é que você reflita. Reflita seriamente sobre as razões pelas quais você crê naquilo que crê. Seriam elas de fato suficientes para você afirmar com toda a certeza a veracidade sobrenatural das alegações de sua religião?... 

Não tenha medo de enfrentar a verdade. Seja ela qual for, sempre será preferível ao erro. 

A verdade, porém, pode não coincidir com o que, num primeiro momento, nos faça 'sentirmo-nos bem'. É aí que entra em jogo a sua honestidade intelectual... O que realmente é verdadeiro pode não coincidir com o que você gostaria que fosse verdadeiro... 

Evite fazer como os apologistas católicos fazem: nunca questionam realmente a sério a sua fé, porque acham que isso seria pecado mortal de heresia... Desconfie, meu caro, destes cujo método de procura da verdade consiste no seguinte: "Já temos a resposta. O que podemos usar para prová-la?" Querido, isso pode ser qualquer coisa, menos uma busca sincera da verdade... 

Peço-lhe, encarecidamente, que, se você achar novos argumentos a favor do cristianismo, ou uma resposta  cabal para as colocações feitas por mim contra as pseudo-provas da veracidade da fé cristã, por favor, me escreva. Compartilhe comigo a sua descoberta... Estou inteiramente aberto a rever a questão quantas vezes for necessário. A dúvida é que é, ela sim, o princípio da sabedoria...

Inúmeros são as pessoas que já estariam libertas da falsidade do cristianismo se realmente parassem para questionar o porquê de sua fé. Sentem-se muito bem acomodadas na ilusão cristã, e não querem, nem de longe, pensar em rever a sua crença. E, como diz o provérbio, "o pior cego é aquele que não quer ver"... 

Advirto-o, também, para a grande dificuldade psicológica pessoal que você pode encontrar nessa questão: de fato, toda a religiosidade é estruturada de molde a fazer uma perfeita lavagem cerebral em seus adeptos. Se esse é o seu caso, vai ser mesmo difícil você conseguir ver a realidade sem os 'óculos' que essa lavagem cerebral pôs em você. Mas calma, tem jeito. E nós estamos aqui para ajudá-lo... 

Queremos a verdade, apenas a verdade, única e exclusivamente a verdade. 

Se este é o seu desejo sincero também, então venha conosco! 

Ou melhor, continue... 

Um grande abraço de seu amigo, 
Rodrigo Antônio da Silva

Rio de Janeiro, 7 de agosto de 2012, RJ - Brasil

0 comentários em “Não há razões válidas para crer no cristianismo”

Postar um comentário

 

[U.B.D] União Brasileira dos Deístas Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger