sábado, 10 de maio de 2014

Decifra-me ou te devoro!


Decifra-me ou te devoro!


Este artigo falará sobre os significados desta lição em sua época e sua aplicação, dentro do deísmo, nos dias de hoje.

É conhecida a frase dos escritos de Sófocles em sua famosa peça "Édipo-Rei", escrita há mais ou menos 2430 anos atrás para uma competição teatral na Grécia Antiga.

Num determinado trecho da peça, conta-se que instalou-se na entrada da cidade de Tebas uma terrível monstra chamada de Σφίγγα (Sfinga, Esfinge). Ela foi representada de diversas formas que incluíam, na maioria das vezes, cabeça de mulher, corpo de leão, asas de águia.

A todos que tentavam adentrar a cidade, ela perguntava: decifra-me ou te devoro! O que é que de manhã anda de quatro, de tarde sob dois pés e ao anoitecer, sob três pés? Para quem acertasse a resposta, ela partia para outras três perguntas muito mais difíceis de responder ou, no caso da falta da resposta correta, asfixiava e devorava sua vítima. Logo mais, veremos o que isso significa para o conhecimento arcaico.

Quem é você?


Para a primeira pergunta, Édipo respondera: — É o homem. A esfinge não o devora, pois ele descobrira o sujeito da charada e ainda pergunta: — Minhas outras três perguntas te acompanharão até o fim dos teus dias e se não as responder a tempo, sufocará até a morte: Quem és tu? De onde veio e para aonde vais?

O significado da palavra, de origem egípcia, sfinx, posteriormente sfinga (grego) e esfinge. Literalmente seria "sufocar a garganta" ou "aquela que sufoca".


Assim, fica claro o que ela representa. A esfinge é este ardor no peito de quem quer descobrir esta resposta. São as crises de identidade, são as perguntas que nos acompanham por toda a existência. E é pela falta de autoconhecimento que sentimos seu aperto. Sentimos um aperto no peito quando não sabemos responder quem somos, de onde viemos e para aonde vamos, o que era o caso de Édipo — que não tinha a menor ideia do que estava fazendo em sua vida, matando sem saber o pai verdadeiro e casando-se também sem saber com a própria mãe.


De onde você veio?


A civilização grega, através de inúmeros poetas trágicos e com todo seu avanço espiritual abordou o tema de forma sabiamente sutil. O teatro grego, "théa tros", ou o caminho para o divino, era local de iniciação e de muito aprendizado espiritual, moral e ético para o povo grego. Infelizmente, este conhecimento ou se perdeu em grande parte ou foi destruído e deturpado principalmente pelo Império Romano e a Igreja Católica.

Nos dias de hoje, a esfinge está matando, ou pelo menos sufocando, simbolicamente de diversas formas através do vazio existencial em que boa parte da humanidade está mergulhada — o que traz doenças psíquicas graves como: depressão (em suas milhares de formas), vícios como tabagismo, alcoolismo, drogas, compulsões de qualquer tipo, desvios de caráter ou, pior, combinações dessas mazelas.



É aí que as religiões e os fanatismos em geral tem estado quase infinitamente ocupados, muitas vezes até incitando e incutindo esses problemas na mente das pessoas. Como se já não bastasse a vida ser muito difícil só pela conquista do sustento, ainda suportamos uma carga quase sobre-humana de questionamentos e perplexidades que muitos não dão conta de responder.

Para onde você vai?


Assim, o deísmo, enquanto filosofia, deve ser uma alternativa que responda ou forneça meios para que dê sentido à vida das pessoas. Que propague a liberdade, a boa educação e o bom senso. Que forneça ferramentas para que cada pessoa consiga responder por si só as perguntas que lhe apertam a garganta. Não deve jamais ser púlpito de críticas sem opção, de antirreligião, de ateísmo desvairado. Deve ser a reunião do pensamento livre, racional, pró-humanidade — salvando o direito de cada homem e mulher de ter a sua própria espiritualidade.

(Continua nos próximos posts)

1 comentários:

  • 13 de maio de 2014 12:48

    Muito Bom!

    delete

Postar um comentário

 

[U.B.D] União Brasileira dos Deístas Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger