sexta-feira, 16 de maio de 2014

Allan Kardec fala sobre o Deísmo

* Como já dissemos em posts anteriores, julgamos bastante válido e interessante conhecer também as posições daqueles que pensam diferente de nós. No texto abaixo (no capítulo original do qual o extraímos), Allan Kardec (1804-1869), o célebre fundador-codificador do Espiritismo, expõe, entre as outras possibilidades de posicionamento filosófico-teológico (ele enumera cinco: MaterialismoPanteísmoDeísmoReligiões Dogmáticas/Tradicionais e Espiritismo), a corrente de pensamento chamada de Deísmo. Dentro deste, Kardec distingue duas categorias de deístas: uma, que ele chama de "independentes", que postula a ausência de qualquer relação entre Deus e o universo após a criação, e outra, que ele chama de "providencialistas", que somos (é a minha posição - Rodrigo) defensores da existência de relações metafísicas atuais e eficazes entre Deus e suas criaturas. Kardec critica duramente, distinguindo-os dos deístas providencialistas, que ele vê com melhores olhos. O presente texto se encontra no livro "Obras Póstumas de Allan Kardec", 1ª parte, capítulo "As cinco alternativas da humanidade".


III. A Doutrina Deísta
(Allan Kardec)

 O deísmo compreende duas categorias bem distintas de crentes: os deístas independentes e os deístas providencialistas

Os deístas independentes creem em Deus; admitem todos os seus atributos como criador. Deus, dizem eles, estabeleceu as leis gerais que regem o Universo, mas essas leis, uma vez criadas, funcionam sozinhas, e seu autor não se ocupa mais de nada. As criaturas fazem o que querem ou o que podem, sem que com isso se inquietem. Não há providência; Deus, não se ocupando conosco, nada há a agradecer-lhe, nem a pedir-lhe. 

Ora, aqueles que negam toda intervenção da providência na vida do homem são como crianças que se creem bastante razoáveis para se livrarem da tutela, dos conselhos e da proteção de seus pais, ou que pensariam que seus pais não devem mais se ocupar delas, desde que as colocaram no mundo. 

Sob o pretexto de glorificar a Deus, muito grande, dizem, para se abaixar até as suas criaturas, fazem dele um grande egoísta e o abaixam ao nível dos animais que abandonam suas crias aos elementos.

Esta crença é resultado do orgulho; é sempre o pensamento de estar submetido a uma força superior que melindra o amor-próprio e da qual procura libertar-se. Ao passo que uns recusam absolutamente essa força, outros consentem em reconhecer a sua existência, mas a condenam à nulidade. 

Há, porém, uma diferença essencial entre o deísta independente, do qual acabamos de falar, e o deísta providencialista; este último, com efeito, crê não só na existência e no poder criador de Deus, na origem das coisas; crê ainda em sua providência incessante na criação e a pede, embora não admita o culto exterior [se carregado de superstições como se vê nas religiões] nem o dogmatismo atual [das diferentes religiões que se apresentam como portadoras de uma "revelação divina"].

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