quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Análise: A estrutura financeira das religiões





A religião é uma instituição financeira tanto quanto espiritual. Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam.

Não é surpreendente que as maiores religiões do mundo - Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Budismo e Hinduísmo - promovam a acumulação de riquezas através de seus sistemas de crenças, o que contribui para a prosperidade econômica.
Incentivos espirituais como a danação e a salvação são motivadores eficientes. Por isso, religiões que dão ênfase à crença no inferno são mais propensas a contribuírem para a prosperidade econômica do que as que enfatizam a crença no paraíso.

As religiões que têm foco na crença no paraíso dão mais importância a atividades redistributivas (caridade) para diminuir o tempo das pessoas no inferno e chegar mais perto do paraíso.
Já o incentivo que se baseia na crença no inferno parece mais eficiente para o comportamento econômico, porque motiva os fiéis a trabalhar mais duro para evitar a danação.

Arrecadação
A estrutura organizacional, assim como o sistema de crenças de uma religião, afeta diretamente sua habilidade de arrecadar fundos dos fiéis.
A riqueza das religiões, de maneira muito semelhante à riqueza das nações, depende da estrutura de sua organização. Mas, diferentemente das corporações, as finanças das religiões não são transparentes para o público nem são monitoradas.
Algumas estruturas religiosas são hierárquicas como a da Igreja Católica Romana, com a concentração de riqueza no clero e no Papado. Por contraste, as igrejas evangélicas e pentecostais favorecem um acúmulo de riqueza de pai para filho.
O famoso evangelista americano Billy Graham e seu filho William Franklin Graham 3º, que assumiu a presidência da associação evangelista do pai, são um exemplo de como o poder espiritual e a riqueza de uma religião são mantidos pelos laços familiares.
Fiéis fazem doação do dízimo na Nigéria.
Religiões monoteístas usam a experiência coletiva como forma de pressionar os fiéis para a doação
Outras organizações tendem a ser descentralizadas e comunitárias por natureza, como o judaísmo, com as sinagogas locais mantendo a autonomia sobre as finanças.

Mas as religiões coletivas, como as monoteístas, requerem a crença exclusiva em um só Deus e contam financeiramente com tributos e doações voluntárias de seus membros.

Como consequência, um templo, igreja ou mesquita exerce pressão coletiva e outros tipos de sanções grupais para garantir a ajuda financeira contínua dos fiéis à religião.

No entanto, uma dificuldade constante enfrentada pelas religiões é que muitos membros decidem agir de acordo com sua própria vontade e não dar apoio financeiro.

Outro tipo de estrutura religiosa é a privada ou difusa. Hinduísmo e budismo são religiões privadas, em que os fiéis realizam atos religiosos sozinhos e pagam uma taxa para um monge pelo serviço.

Nestes casos, as atividades religiosas são partes da vida diária e podem ser feitas a qualquer momento do dia. Elas não requerem nem um grupo de fiéis nem a presença dos monges.

Estas religiões privadas tendem a ser politeístas e sustentadas financeiramente pelo pagamento de uma taxa de serviço.

Apoio do Estado
"Sem doações dos fiéis, as religiões como organizações sociais não sobreviveriam."
Rachel McCleary
Religiões com muitos recursos, como por exemplo o catolicismo romano e o islamismo, historicamente foram - algumas vezes - monopólios financiados pelo Estado.
A regulação da religião pelo Estado pode reduzir a qualidade das vantagens espirituais na medida em que aumenta a capacidade da religião de acumular riqueza. Mas uma religião subsidiada pelo Estado pode ter um efeito positivo na participação religiosa.

Por exemplo, os governos da Dinamarca, Suécia, Alemanha e Áustria subsidiam muitas religiões para a manutenção de suas propriedades, a educação do clero e os serviços sociais.

Mesmo que isso não necessariamente aumente o número de pessoas que frequentam a igreja, o investimento financeiro do Estado nas instituições religiosas aumentou as oportunidades das pessoas de participarem de atividades patrocinadas pela religião.

Principais Negócios Religiosos no Brasil


Em paralelo, algumas igrejas evangélicas adquirem espaços milionários na grade de TV aberta brasileira e tomam parte em empreitadas que vão desde a construção de grandes templos até participação em empresas de engenharia e de telecomunicações.
Conheça abaixo alguns dos elementos que compõem esse mercado:

Templo de Salomão
Um terreno de 28 mil metros quadrados – área superior à do Parque Buenos Aires, em São Paulo – vai abrigar o Templo de Salomão, a maior construção da Igreja Universal do Reino de Deus.
Trata-se de uma reprodução de um histórico templo israelense, que está em fase inicial de construção na avenida Celso Garcia, no Brás (Zona Leste de São Paulo). Terá, segundo material de divulgação da própria Iurd, altura equivalente a um prédio de 18 andares, poderá abrigar até 10 mil pessoas sentadas e custará entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões.
O recurso virá de fiéis e "admiradores" do projeto, também de acordo com a Igreja Universal.

Telecomunicações e mídia
Imagem digital de como será o Templo de Salomão
Imagem digital de como será o Templo de Salomão, o maior da Igreja Universal
Igrejas e pastores evangélicos detêm dezenas de concessões de emissoras e rádios de TV, além de participação na mídia impressa – um exemplo é a Folha Universal, jornal semanal da Iurd com tiragem declarada de 2,3 milhões de exemplares.
Mas o mais proeminente negócio midiático relacionado aos evangélicos é a Rede Record, controlada desde 1989 por Edir Macedo, fundador da Universal.
Embora tanto a igreja como o grupo midiático sejam do mesmo dono, a Record diz que não sofre interferências da igreja, que é considerada apenas "um cliente" pela emissora.
As evangélicas também adquirem cerca de 130 horas semanais nas grades de algumas das principais emissoras de TV abertas do país – RedeTV!, Record, Band e Gazeta.
Relatos na imprensa dão conta de que o SBT negocia a venda de seu horário da madrugada para a Igreja Mundial; a assessoria da emissora diz que não há nada confirmado.

Produtos de consumo
A Assembleia de Deus oferece dois tipos de cartão de crédito, o Missionário e o Gold, este último dono de um perfil próprio no Twitter. A Igreja Internacional da Graça de Deus lançou o seu cartão de crédito Igreja da Graça. São exemplos de produtos destinados especialmente para o público evangélico.
A empresa Z3, do interior de São Paulo, se especializou em atender esse público, com livros e jogos infantis com histórias religiosas. "Nossa rede tem crescido, então acredito na expansão desse mercado", diz Kátia Vieira, funcionária da Z3. "Todos os dias recebemos clientes novos, quase exclusivamente do público evangélico. Estão sempre à procura de coisas novas."
Loja Z3, na Conde de Sarzedas
Loja Z3, na rua Conde de Sarzedas, tem visto seu movimento crescer

Rua especializada
Uma pequena ladeira no Centro de São Paulo se tornou um ponto de encontro de consumidores e fornecedores de produtos cristãos. A rua Conde de Sarzedas tem dezenas de lojas especializadas, que oferecem de bíblias e CDs a jogos infantis, óleos de unção, produtos com frases que remetem a Deus e pacotes de viagem.
É ali que a cantora Mara Maravilha mantém uma loja, que vende seus CDs e DVDs de música gospel. No andar de cima da mesma galeria, funciona a Terra Santa Viagens, que fecha cerca de uma caravana por mês (com cerca de 50 pessoas) para turismo em cidades como Jerusalém, em Israel, e Belém, na Cisjordânia.
"A procura tem sido constante", diz Fernanda, uma das funcionárias. O principal público, ela acrescenta, é o evangélico.

Feiras setoriais
O empresário Eduardo Berzin Filho trabalha há 15 anos para o público evangélico, com a produção de revistas, sites e programas de TV. Há dez anos, lançou a ExpoCristã, que levou, segundo ele, 160 mil visitantes em 2010 ao centro de eventos do Anhembi, em São Paulo.
O evento reuniu atrações da música gospel, exposição de arte cristã e a venda de livros, produtos especializados e mobiliário para templos. A edição de 2011 da ExpoCristã está marcada para setembro.
ExpoCristo, em Curitiba (Foto: Divulgação)
ExpoCristo é realizada há sete anos em Curitiba (Foto: Divulgação)
Evento semelhante é realizado há sete anos em Curitiba por Jôfran Alves, que com sua esposa criou a ExpoCristo. A edição mais recente ocorreu em julho, também com atrações musicais, editoras, gravadoras, e até empresas que prestam serviço de segurança para templos. A ideia é atender bem a um "público que consome de tudo", como o cristão, segundo Alves.

Mercados fonográfico e editorial
Há poucos dados disponíveis sobre os segmentos de livros evangélicos e de música gospel, mas há indícios de crescimento e alta no consumo.
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) diz que a produção de livros religiosos cresceu 39,2% em 2010 em comparação com número anterior, dado que inclui livros católicos – o crescimento, inclusive, foi puxado por um livro do padre Marcelo Rossi.
A CBL não tem dados específicos sobre o mercado editorial evangélico, mas percebe crescimento.
"Nossa percepção é de que o público evangélico tem grande participação, e é crescente", diz à BBC Karine Pansa, presidente da Câmara. "Isso se dá pela cultura de ter uma bíblia para cada pessoa, de ter bíblias específicas, e pela vontade que esse público tem de aprender."
Sobre o mercado fonográfico gospel, a Associação Brasileira de Produtores de Discos diz não ter dados específicos, mas alguns dados confirmam a força do segmento.
Bíblias na rua Conde de Sarzedas
Mercado editorial segmentado também tem crescido
Aline Barros, uma das mais conhecidas cantoras gospel, contabiliza 3,6 milhões de acessos em seu canal no YouTube. Damares, outro nome famoso desse mercado, vendeu 170 mil cópias de seu último CD e recebeu discos de ouro e platina. André Valadão tem nove CDs e cinco DVDs gravados em sete anos de carreira solo.

Serviços de apoio
Para amparar a construção de templos e sua gestão, foram criadas empresas e entidades que prestam serviços especializados.
Algumas têm elos com as próprias igrejas – caso do Engiurd, o Departamento de Engenharia da Igreja Universal do Reino de Deus, criado para "otimizar recursos em nossos processos de construção, reforma e manutenção de templos", segundo o site da empresa.
Outras entidades prestam serviços para diferentes congregações. É o caso da Sepal (Servindo aos Pastores e Líderes), que ensina técnicas de liderança e gestão de negócios para pastores e líderes religiosos e comunitários, além de realizar pesquisas para identificar regiões "com necessidades missionárias e sociais" que podem ser atendidas por congregações.

Fonte: BBCBrasil

Na India o milionário negócio dos gurus


Líderes espirituais não são novidade na Índia onde há mais deles per capita do que em qualquer outra nação do planeta.
Mas o que mudou recentemente é que não falamos mais apenas de um sistema de crenças e fé pessoal. É uma indústria em expansão avaliada em milhões de dólares.

Hoje há inúmeros produtos derivados que vêm destes gurus, como CDs de música e vídeos, turismo e canais de TV até portais espirituais que permitem aos fiéis um contato maior com seu deus pela internet.

A sede do império de Sri Sri Ravi Shankar ocupa um área impressionante de mais de 40 hectares na cidade de Bangalore, no sul da Índia.
Seguidores do guru Sri Sri Ravi Shankar
Milhares de seguidores são atraídos até o complexo para ver o guru
Há um grande Ashram onde os sábios vivem em paz, vários "centros de recursos" e uma escola veda (escrituras que forma a base do hinduísmo). O local tem também uma grande cozinha que alimenta cinco mil devotos por dia.

Andando pelo complexo, outra coisa que impressiona é grande variedade de produtos desenvolvidos, como protetores solares, shampoos e remédios.

O professor e escritor Dipankar Gupta vem seguindo esse fenômeno de fusão entre religião e espiritualidade que ele chama de "indústria de vários milhões de dólares" que inclui alguns gurus muito ricos.

Sri Sri Ravi Shankar, por exemplo, foi classificado pela revista Forbes como ocupando a oitava posição entre os líderes indianos mais importantes.

Fonte: BBC

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Ateísmo < Deísmo > Religião

Texto: Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)

Recentemente tive uma conversa com um amigo on-line sobre crenças religiosas. Ele é um mórmon e para minha surpresa, mesmo que ela sabia que eu não era cristão, estava interessado na minha “religião”. Depois que eu expliquei a ele o que é deísmo, o próximo comentário fora de sua boca era "Então você é ateu?"

Não. Eu não sou um ateu. Eu sou um deísta. Há uma enorme diferença. Ateísmo ensina que Deus não existe. Deísmo rejeita as revelações do "das religiões, mas não rejeitam a Deus.
A atitude de ateu simplesmente não aceitar as coisas como cognoscível é perigosa para o progresso da humanidade. Muitas coisas não foram cognoscíveis no passado que são conhecíveis hoje. De uma só vez os europeus acreditavam que era impossível saber o que estava do outro lado do Oceano Atlântico, mas eles estavam errados. À medida que aprendemos mais sobre as ciências, estamos aprendendo mais sobre o Poder de colocar esses princípios em prática. Um Ser eterno, como Thomas Paine disse, "cujo poder é igual a Sua vontade."

Uma vez que temos passado esse estágio, ela se tornou cada vez mais interessados ​​na base do deísmo, que é muito simples. Deísmo ensina que você deve seguir o seu Deus lhe deu capacidade de raciocinar, em vez de formar superstições, e "ter fé". Deísmo não faz nenhuma reivindicação razoável. Religiões reveladas incentivam as pessoas desistirem, ou pelo menos suspender a sua capacidade de raciocinar, chamando a de fé. Não é muito lógico acreditar que Moisés abriu o Mar Vermelho, que Jesus andou sobre a água, ou que Maomé recebeu o Alcorão de um anjo.

Então ele perguntou como eu poderia acreditar em um Criador, que recuou de sua criação? Eu amostrei então esta citação.

Deísmo diz que a racionalidade é a razão que leva a Deus. Para o deísta, a evidência é a criação e a idéia de o que trouxe sobre a evidência é o Criador. Não há absolutamente nada conhecido pelo homem que criou em si. Por exemplo, se alguém nos mostra um computador, e nos diz que todas as peças individuais que compõem o computador só veio por acaso, de que alguma forma, formado em um sistema e funcionando perfeitamente por si mesmo, seria tolo para acreditar nessa pessoa. A razão não nos deixa acreditar que uma declaração como essa. Da mesma forma, se alguém nos diz que a criação é cada vez maior em sua perfeita ordem "aconteceu" por acaso, estamos sob nenhuma obrigação de acreditar neles. De nossa própria experiência sabemos que tudo quanto foi por um criador. Por que então a própria criação será diferente?

Depois disso, ela me perguntou sobre o Céu e o Inferno. É muito simples. Para um deísta, não sabemos o que acontece depois que morremos, nós não sabemos se há um céu ou um inferno. Ela ensina que a morte é uma parte da criação, e que não devemos preocupar com isso. Deísmo ensina que devemos trabalhar duro para melhorar a vida e também apreciá-lo aqui e agora. Porque devemos nos preocupar sobre a morte quando temos tanta coisa para fazer na vida?

Depois da nossa longa conversa, eu ainda acho que ele acredite que eu seja um ateu, como a maioria das pessoas que acham que a pessoa esteja na categoria de ateus.

"É muito mais confortável ser louco, do que ser saudável e ter dúvidas de alguém."

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Fé e Conhecimento

Tradução: Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)

"Fé" uma das muitas razões que alguns se voltam para o ateísmo ou Agnosticismo e é porque eles não querem seguir. Deístas e teístas têm um ditado que diz sobre isso: "Eu não tenho fé suficiente para ser ateu." Embora possa parecer apenas uma linha humorística e retórica, que faz repousar sobre uma boa parte do valor.

A questão é esta: Os ateus dizem: "Não podemos acreditar em Deus porque isso é um ato de fé, e só devemos acreditar no que a ciência e a lógica nos diz." O Teísmo responde: "Como você sabe que a ciência e a lógica é a descobertas de seres humanos  estejam corretas? "Para isso, o ateu rapidamente responde:" Porque, (1) faz sentido, (2) não há evidência para provar as conclusões científicas, e (3) qualquer outro princípio arbitrário tentando explicar por que a ciência é verdade. "E, finalmente, o teísta, mais uma vez diz:" Mas como você sabe que todas essas coisas que você diz são precisas? "No final, este ciclo continua até que o ateu está cansado dele e diz: "Olha, é apenas a verdade, ok?

A triste verdade é, a crença em princípios científicos e da razão humana exige fé tanto quanto acreditar em um livro sagrado. Na verdade, todo o nosso conhecimento pode ser reduzido a esse cenário simples. Conclusões científicas repousam em pressupostos científicos, religiosos e conclusões em suposições religiosas, apoiando em conclusões morais, premissas morais, e assim por diante. Essa é apenas a maneira que é.

A razão para esta circularidade inevitável é que nós seres humanos estamos dentro de um sistema. Nós não podemos ver este sistema a partir do exterior, de modo que não podemos verificar e ver se ele é composto externamente, só podemos determinar se ele é internamente consistente. Portanto, as nossas conclusões sobre esse sistema só pode ser baseada em (1) a consistência interna dessas conclusões, e (2) a consistência dessas conclusões com o que pensamos que percebemos. Não há maneira de nos aproveitar algum poder temeroso ou ter uma visão especial de saber, com certeza, que estamos certos. Você acabou de viver com ela.

No entanto, devemos distinguir entre a fé cega e fé responsável. O argumento de que a fé e a base de todo conhecimento não implica que não há problema em apenas acreditar no que quiser, porque podemos implicar que temos de ter cuidado para colocar as nossas suposições e tirar nossas conclusões de forma responsável.

Assim, os teístas fazem a suposição de que um livro é santo, e chegam as conclusões religiosas com base nisso. Deístas e ateus têm fé na ciência, acreditamos que a ciência é muito mais internamente consistente e coerente com o que nós pensamos e que nós percebemos. A diferença entre nós é que chegamos a conclusões diferentes com base nestes pressupostos teístas e deístas que ao levar o que temos a concluir que Deus existe, enquanto ateus pegam o que eles têm e concluir que ele não o faz.

Considerando as implicações práticas desta abordagem baseada na fé a tudo. Geralmente temos fé em nossos cinco sentidos, especialmente os de tato e na visão. Mas quando vemos uma ilusão de ótica, estamos totalmente convencidos de que nós vemos algo que, na realidade, é bastante diferente. Isso demonstra que mesmo as coisas que nós tomamos para concedido e assumir para ser exato são baseados na fé, e que temos fé que nem sempre é correta.

Combine tudo isso, você pode ver a falha na lógica dos ateus, só porque a ciência não “prova” empiricamente que Deus existe isso não significa que ele não faz. Na verdade, a ciência está continuamente mudando e evoluindo à medida que aprendemos (ou pensamos que aprendemos) coisas novas sobre o cosmos. A história da ciência é feita com revoluções como muitos que existem na história da política. Independentemente do que você acredita, pensa, ou sente e não importa quanto você tente negar, você não pode escapar da necessidade da fé.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Liberdade religiosa e política





A Cambridge University Press reactivou a sua colecção de biografias de grandes filósofos, na qual há uns anos tinha editado a biografia de Hobbes, da autoria de A. P. Martinich. No espaço de um ano foram publicadas biografias académicas de Nietzsche, Hegel, Kant e Kierkegaard. A biografia de Espinosa da autoria de Steven Nadler, que agora sai em Portugal, coincidiu praticamente com a de Gullan-Whur, na Pimlico. É espantosa a vitalidade editorial da biografia filosófica inglesa.


Espinosa nasceu em 1632 e morreu com apenas 45 anos. Viveu toda a sua vida nos países baixos, em Amesterdão, Rijnsburg, Voorburg e Haia. Ao contrário do mito que o rodeia, não era um solitário que polia lentes e escreveu em reclusão a sua magna obra. Esta ideia popular acerca dos filósofos, aliás, raramente corresponde à verdade; como afirma Mary Warnock, "os filósofos são por natureza faladores e epistolares; só raramente preferem sentar-se a pensar, isolados dos seus pares". Espinosa mantinha muitos contactos intelectuais e tinha muitos amigos — o que explica aliás o rápido aparecimento, logo após a sua morte, da Ética, uma das obras mais importantes da filosofia ocidental.

O avô de Espinosa era lisboeta e viveu alguns anos na Vidigueira, no Alentejo. Mas foi obrigado a fugir para Amesterdão quando a louca perseguição portuguesa aos judeus se tornou intolerável. Espinosa, todavia, haveria mais tarde de provocar nos próprios judeus o mesmo tipo de fervor religioso que levou a sua família a ser expulsa de Portugal: foi expulso da comunidade judaica e o texto dessa excomunhão é das coisas mais violentas que já li. Religião e tolerância têm tendência para ser como azeite e água: não se misturam.

Espinosa falava português e esta era a língua que se falava em sua casa e nas ruas de Amesterdão, que acolhia uma enorme comunidade judaica proveniente de Portugal. A língua usada nos estudos bíblicos era o hebraico, e o latim era a língua da literatura, da cultura e da ciência em geral. Espinosa dominava todas estas línguas, além do holandês e do espanhol. A sua obra foi escrita em latim, e traduzida para holandês. Durante a sua vida, Espinosa só publicou duas obras.


Os Princípios da Filosofia de Descartes (1663), de Espinosa, é uma exposição "geométrica" da filosofia de Descartes, e foi publicada a pedido dos seus amigos e correspondentes. Esta obra granjeou-lhe logo uma boa reputação entre os livres-pensadores. Efectivamente, Descartes representava na altura a novidade perigosa do pensamento filosófico. Representando um corte profundo com a tradição escolástica anterior, não aceitando argumentos de autoridade e estando aberta aos últimos desenvolvimentos científicos da época, a obra de Descartes era vista com maus olhos e era comum ser leitura proibida nas miseráveis universidades holandesas da altura. E se pensarmos que a Holanda era um dos países mais liberais da Europa, consegue-se perceber melhor o contexto intelectualmente sufocante em que Espinosa viveu. Este contexto, aliás, viria a influenciar decisivamente as suas ideias políticas e religiosas, sendo um defensor intransigente da liberdade religiosa e de pensamento. Por vezes, as pessoas perguntam-se para que serve a filosofia por desconhecerem que muitos dos valores e instituições que herdámos são o fruto, precisamente, do pensamento filosófico mais esclarecido.

Mas a obra que projectou Espinosa além-fronteiras como um filósofo de primeira linha foi oTractatus Theologico-Politicus (1670). É nesta obra que Espinosa defende exaustivamente a liberdade religiosa e política, usando o seu conhecimento profundo do Velho Testamento para pela primeira vez analisar de um ponto de vista histórico o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia.

Espinosa faz parte do grande trio de racionalistas modernos, juntamente com Descartes e Leibniz. Trio este que é habitual opor ao trio de empiristas modernos: Locke, Berkeley e Hume. A filosofia contemporânea é na sua maior parte o fruto da filosofia empirista, mas as suas tremendas limitações estão a tornar-se cada vez mais evidentes e assiste-se hoje a uma reabilitação tímida da filosofia racionalista. A diferença que opõe as duas correntes é esta: enquanto para os racionalistas o conhecimento mais nobre e certo tem origem na razão apenas, os empiristas defendem que a razão nada pode descobrir que não tenha origem nos dados dos sentidos. A grande dificuldade da filosofia racionalista é explicar exactamente como conhecemos, sem recorrer à experiência, as grandes verdades sobre o mundo. E era neste ponto que os empiristas sempre insistiam na sua oposição ao racionalismo. Mas é cada vez mais evidente hoje que a filosofia empirista é incapaz de explicar a origem empírica até de verdades como "Todo o objecto verde tem cor", quanto mais de aparentes verdades substanciais como "A água é necessariamente H2O". Kant foi a primeira tentativa de fundir o racionalismo com o empirismo, mas falha precisamente por conduzir ao idealismo e à ideia absurda de que o mundo é uma construção nossa.

As razões que levaram Espinosa a ser excomungado são relativamente simples. Sendo um crente, Espinosa cedo percebeu que a concepção judaica (e cristã) de Deus é absurda. A expressão "o deus dos filósofos" foi usada pela primeira vez para falar do conceito de Deus de Espinosa. O deísmo posterior, muito popular durante o Iluminismo, é um descendente um pouco desfigurado do deus dos filósofos. Espinosa não acreditava na imortalidade da alma, nem nos milagres, nem num deus estilo juiz de última instância, de barbas brancas, sentado num púlpito. Espinosa achava que estas eram formas humanas primitivas de representar Deus. E também não tinha em grande conta as instituições religiosas, com os seus rituais, proibições, hierarquias e anátemas. Não admira que tenha sido rapidamente expulso e encarado como ateu. A concepção que Espinosa nos oferece de Deus é demasiado abstracta para responder às ansiedades dos crentes, que querem precisamente o colorido dos milagres, a maravilha das tarde tranquilas do paraíso a coser meia, e um deus-pai que olha por nós e garante que os mauzões são castigados e os bonzinhos têm direito à sobremesa — e tudo isto sem exigir de nós o esforço de pensar. Esta teologia barata está nos antípodas do conceito de Deus de Espinosa, que era apenas a manifestação da estrita necessidade das leis do universo.

Para Espinosa, tudo o que ocorre está determinado pelas leis necessárias da natureza. E Deus mais não é do que esta natureza inexorável. O pensamento modal de Espinosa é tipicamente racionalista. Como Leibniz, Espinosa defende que só o nosso conhecimento imperfeito nos faz pensar que há contingências no mundo, isto é, coisas que acontecem mas poderiam não ter acontecido. Este tipo de concepção da natureza modal do mundo contrasta fortemente com a concepção empirista segundo a qual, pelo contrário, tudo quanto acontece é perfeitamente contingente. Assim, Espinosa diria que quando chove isso é um acontecimento necessário, fruto das leis inexoráveis da natureza, apesar de poder parecer perfeitamente contingente. Ao passo que um empirista como Hume diria que quando um cometa passa pela trajectória previamente calculada isso é um acontecimento que poderia perfeitamente não ter acontecido, só o nosso fantasioso hábito mental de pensar em termos causais nos faz ter a ilusão de que se trata de um acontecimento inteiramente determinado por causas anteriores.
Bento de Espinosa
A vida de Espinosa é uma das mais obscuras. Pouco se sabe dele, do que fazia, ou até qual era a sua aparência. Há um único retrato da época, que surge na capa desta biografia de Nadler, mas pensa-se que não terá sido pintado na presença de Espinosa. Os seus dois biógrafos recentes, Nadler, que acaba de ser editado entre nós, e Gulan-Whur, editada em língua inglesa pela Pimlico em 2000, resolvem este problema de modos distintos. Gulan-Whur dá asas à imaginação e à inferência ousada. Nadler, mais comedido, aproveita para nos apresentar uma história pormenorizada dos tempos de Espinosa, dos seus correspondentes e amigos.

Há qualidades de Espinosa, todavia, que transparecem em ambas as biografias. Espinosa era afável, cultivava a amizade, tinha um grande amor ao conhecimento, e era um talentoso geómetra. O que mais impressionou este crítico, todavia, foi a sua tranquila força de vontade. Espinosa partilha com Schlick e Pitágoras a honra pouco invejável de ter sido dos poucos filósofos da história a ser vítimas de um atentado à sua vida. Mas ao contrário de Schlick e Pitágoras, Espinosa escapou com vida. Na verdade, pouco se sabe deste episódio. Aparentemente, um judeu mais fervoroso achou por bem endireitar as linhas tortas em que Deus escreve, de navalha em punho, mas falhou. Até este incidente capaz de fazer qualquer pessoa mudar de rumo não deteve Espinosa.

A mãe de Espinosa morreu quando ele tinha 6 anos e o seu pai quando ele tinha apenas 22. Herdou o negócio do pai e geriu a coisa o melhor que conseguiu, mas cedo deixou o negócio para se dedicar ao estudo. É um caso raro de alguém que renunciou realmente aos bens materiais para se tornar filósofo. Viveu o resto da vida de forma muito modesta, mas, tanto quanto se sabe, relativamente confortável. Alguns amigos e correspondentes ajudavam-no quando podiam. E vivia de dar explicações. Granjeou fama também como polidor de lentes, um trabalho onde podia aplicar os seus conhecimentos de óptica.

Descartes é um dos filósofos mais claros e lógicos da história, mas Espinosa levou a exigência de rigor de Descartes às últimas consequências. Concebeu a filosofia como uma espécie de geometria, com os seus axiomas, postulados, teoremas, corolários, definições e proposições. Não se pode dizer que o resultado tenha a elegância ática de Descartes ou Russell, mas é sem dúvida um monumento a uma forma rigorosa de pensar filosoficamente.

Espinosa começou por estudar profundamente Descartes. As suas explicações sobre a filosofia cartesiana eram célebres e atraíram um grupo de estudantes entusiásticos. Mas o pensamento de Espinosa cedo começou a tornar-se autónomo. E mais uma vez foram os seus amigos e estudantes que o estimularam, lendo criticamente os seus manuscritos, levantando-lhe dificuldades, pedindo-lhe esclarecimentos.

Depois da sua morte, Espinosa foi durante um século o bobo da corte: o filósofo mais comentado e menos lido. Bayle, Hume, Berkeley e Locke sentiram necessidade de mostrar que as ideias ateias de Espinosa eram tolas e que nem mereciam atenção. Mas, de todos, só Bayle mostra ter lido realmente o filósofo, apesar de o ter interpretado mal. Kant, no seu imenso estudo, ignora Espinosa. E até Leibniz, que chegou a visitar Espinosa, tratou de tentar que as suas ideias fossem apagadas da história. Mas as ideias são viroses que podem adormecer durante séculos para voltar a acordar com mais força. Lessing, em 1780, choca os seus pares declarando-se discípulo de Espinosa. Goethe apaixona-se pelas ideias do judeu. E só então se começa a fazer alguma justiça ao pensamento de Espinosa — pelo menos no sentido de se ler a sua obra com atenção.

É impressionante o resultado do preconceito religioso. Só porque Espinosa defendia uma versão extremamente abstracta de Deus, era considerado ateu. Porque não acreditava na vida além da morte, era considerado uma ameaça. Porque achava que era a vida terrena que devia ser bem vivida, era considerado uma ameaça à ordem social. Contudo, Espinosa era apenas um investigador honesto, que procurava a verdade e defendia as suas ideias com o mais importante instrumento inventado por mão humana: a argumentação cuidada. A melhor homenagem que podemos prestar a Espinosa não é, pois, a repetição acrítica das suas palavras, as interpretações interpretantes, a desocultação das vertentes ocultas do seu pensar, mas antes a simples discussão crítica, directa e clara das suas ideias — o que os seus próprios amigos faziam, para seu deleite.

Fonte: criticanarede.com

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Moral e Ética sem Religião





Adaptado por: Raphael Oliveira

Dizem que sem religião não haveria moralidade e tudo seria permitido. Mas a Bíblia permite a poligamia, a escravidão, o genocídio, a intolerância religiosa, o estupro e o abuso de crianças, logo estas devem ser práticas moralmente aceitáveis. Entretanto, proíbe o consumo de carne de porco e frutos do mar. E as outras religiões pregam coisas igualmente idiotas. Isto é moral?

Como um ''deísta'' poderia ser pior do que isto? Além do mais, a história das religiões é uma sequência interminável de violência e barbárie, das quais as Cruzadas e a Inquisição são apenas dois exemplos. Se nós hoje rejeitamos tudo isto, pelo menos na superfície, é porque aprendemos a pensar com nossas próprias cabeças, não porque as religiões nos tornaram melhores. Pelo contrário, fomos nós que forçamos as religiões a se tornarem mais humanas e tolerantes. Por que os 10 Mandamentos proíbem cobiçar a propriedade alheia mas não a escravidão? Qualquer Deísta, ateu ou agnóstico bem intencionado conceberia uma lista melhor do que a de Moisés, que trata basicamente de como os homens devem se prostrar diante de um deus egomaníaco.
O que pode ser dito a favor das religiões é que elas impõem um “pacote” de valores aos fiéis com conceitos básicos de moral e ética e que, na falta de melhor, em alguns casos, realmente ajuda a orientar as pessoas. Mas apresentam uma falha básica, ou seja, elas afirmam que é preciso ser bom e justo porque Deus assim o quer. Se fizermos a vontade dele, seremos eternamente recompensados, caso contrário sofreremos um castigo eterno. A verdadeira virtude se baseia no exercício da razão, não na esperança de uma recompensa ou no medo de um castigo, o que em nada difere dos métodos usados por domadores de animais.
Se nós entendemos por que é preciso fazer isto ou não podemos fazer aquilo, nossa ética será muito mais forte do que a imposta por dogmas. Pelo contrário, como disse Feuerbach,“quando a moral se baseia na teologia, quando o direito depende da autoridade divina, as coisas mais imorais e injustas podem ser justificadas e impostas”.
A lei básica da ética e da moral foi estabelecida séculos antes de Cristo. Uma de suas versões é a “Lei de ouro” Confúcio, 500 a.C.): “Façam aos outros o que gostariam que lhes fizessem. Não façam aos outros o que não gostariam que lhes fizessem. Vocês só precisam desta lei. É a base de todo o resto”. Outro modo de dizer isto é: não há pecado, não há um deus que premie ou castigue, há consequências. Cada um deve suportar as consequências do que faz.
Se uma criança de 2 anos bate em outra, a outra vai bater nela também. E a criança aprenderá que não convém bater nos outros. Esta é uma regra moral básica – e nenhum conhecimento religioso foi necessário para que a criança se desse conta dela. Da mesma forma, lobos e leões não devoram uns aos outros, ou já estariam extintos. São regras de convívio aprendidas por tentativa e erro. A elas chamamos moral. A maioria das crianças já tem seus fundamentos morais estabelecidos por volta dos 6 anos, pela experiência adquirida ao testar seus limites e por imitação dos adultos. Só mais tarde conceitos como Céu e Inferno começam realmente a entrar em suas cabeças – e distorcem tudo. A moralidade garante nossa sobrevivência e também torna a vida mais agradável. Ela é sua própria recompensa na maioria dos casos. Não precisamos de livros “sagrados” para entender isto, muito menos daqueles cheios de violência e ódio, como a Bíblia e o Alcorão. Não é um livro sagrado que deve nos dizer o que é certo, somos nós que devemos julgar se o livro sagrado e o deus que ele descreve são bons.
A Bíblia diz que Deus afogou toda a humanidade, exceto por um velho bêbado e alguns poucos de seus parentes, embora, como ser omnipotente, tivesse opções menos radicais. Reservou um território para um povo e o ajudou a exterminar os habitantes originais, inclusive crianças de peito ou ainda no ventre da mãe. Permitiu que seus protegidos estuprassem as mulheres dos vencidos. Se estes, e muitos outros episódios semelhantes, são exemplos do conceito de moral e ética divinas, como afirmar que um mundo ''deísta'' ou ateu mergulharia na desordem e no crime?
Os critérios morais de Deus não requerem explicação. Está certo porque ele assim o definiu. ''Deístas, Ateus e agnósticos'' são humanos e, como tal, imperfeitos, mas ao menos estabelecem regras de conduta com base na interação pacífica com o próximo, no mútuo benefício e na compaixão e não simplesmente “porque eu assim o quis”. Entre ''Deístas, Ateus e agnósticos'', a teoria está sujeita s necessidades práticas. Deus não tem tais limites. O que impede que ele decida dar a Terra a uma raça extraterrestre e a ajude a nos derrotar e devorar? Se tudo o que Deus faz é bom por definição, nossas definições de bem e mal não se aplicam a ele e teremos que aceitar seus atos ainda que nos pareçam absurdos e injustos. Se Deus é bom porque seus atos estão de acordo com um padrão externo e absoluto de bem e mal, Deístas, Ateus e agnósticos não dependerão dele para fazer o que é certo. Se os critérios morais de Deus são, por definição, incompreensíveis, então eles são arbitrários do nosso ponto de vista. E não temos como
julgar se são bons.


Quando Deus faz algo de que gostamos, dizemos que ele é bom e justo. Quando ele faz o oposto, dizemos que é a vontade de Deus e que não nos cabe questioná-lo. Se ele sempre faz o que quer, nossos conceitos de bondade e justiça não se aplicam a ele. É apenas por acaso que seus atos s vezes nos agradam. Não conhecemos seus motivos e nem se ele tem algum padrão de ética e moral. Não temos como qualificá-lo. Como tomá-lo como modelo se não o entendemos e nem mesmo conseguimos prever o que fará?


Os crentes responderiam que Deus é complexo demais para ser entendido pela razão humana e assim devemos aceitar sua vontade sem discutir, ainda que nos pareça s vezes injusta e contraditória. Ora, a razão humana é a única ferramenta que temos para julgar as coisas. É através dela que escolhemos um entre os milhares de deuses e seitas existentes como a única verdade. Ou decidimos que não há evidências de que deuses existam. Se Deus é complexo demais para que possamos julgar seus atos, então não temos como saber se são aceitáveis. Podemos até concluir que ele existe mas isto não implica em que ele é bom ou justo. Ou que ele saiba o que está fazendo. Deus existe (ou tenha existido) mas quem nos garante que é perfeito?


Mesmo que ele nos apareça e assim o diga, por que devemos acreditar nele? Só porque é poderoso? Só porque procura nos convencer com promessas e ameaças? É lamentável que a humanidade se consuma em guerras em nome do que teriam dito deuses que ninguém jamais viu e dos quais tudo o que temos são lendas contraditórias criadas por gente como nós.


Sistemas de leis absolutas, impostas por um deus, geram conflitos entre elas. É proibido matar, mas podemos matar um bandido para não sermos mortos por ele? Podemos violar uma lei de Deus se isto evitar um mal maior?


Ou seja, as leis têm que estar relacionadas vida e s necessidades humanas. É para isto que existem juízes e tribunais: para decidir entre valores relativos, para definir graus de gravidade de um crime, conforme as circunstâncias.


Por se basearem na vontade de deuses diferentes, sistemas religiosos também conflitam entre si e, por serem absolutos, divorciados da realidade, não há como usar uma referência comum para se chegar a um entendimento. Muito sangue já foi derramado por causa disto.


O mundo é complexo demais para se encaixar em definições do tipo “ou isto ou aquilo”. E a compaixão humana, ou seja, a capacidade de alguém se identificar com o sofrimento dos outros, dispensa e supera leis absolutas.


Leis devem ser consideradas como mutáveis, aperfeiçoáveis por tentativa e erro, sem medo de que isto gere o caos. Seres humanos são perfeitamente capazes de inventar suas próprias leis.


As leis humanas não requerem explicações. Sua finalidade é clara. Só precisamos de justificativas quando se inventam leis absolutas e não diretamente relacionadas com o bem estar da humanidade.


O Deísmo, o ateísmo e o agnósticismo não destrói a ética, a felicidade e o amor. O que essas filosofias combatem, na verdade, é a idéia de que a moral só é possível através de Deus, é a idéia de que amor e felicidade só podem ser conseguidos em um outro mundo.


Sem religião, as sociedades mais cedo ou mais tarde se darão conta de que ética e moral se justificam por si mesmas e não devido a vagas crenças em coisas não comprovadas. Seus valores serão baseados na razão e, portanto, muito mais sólidos. Pelo contrário, crenças religiosas nos permitem atribuir aos desígnios de uma entidade abstrata e omnipotente os problemas que afligem o mundo e nos tiram assim a responsabilidade de resolvê-los. Até mesmo grupos de chimpanzés e gorilas têm suas leis; sua inteligência, ainda que limitada, lhes permite reconhecer que, sem elas, a convivência não seria possível e o grupo se auto-destruiria.


Alguns podem se perguntar como seríamos hoje sem ter tido a religião ao longo dos séculos. Uma coisa é certa: milhões de pessoas não teriam morrido na fogueira ou torturadas. Civilizações e suas culturas não teriam sido arrasadas por serem pagãs. A ciência não teria se estagnado por tanto tempo (e mesmo regredido) por medo da fogueira. As mulheres não teriam sido afastadas de uma participação ativa ao lado dos homens nem tratadas como simples reprodutoras, o “vaso imperfeito que recebe o sêmen perfeito do marido”.


Aquilo que nos parecem ser as contribuições da religião para o bem-estar e o progresso da sociedade foi, na verdade, obra de indivíduos e organizações bem-intencionados mais do que o resultado de uma crença religiosa. Somando-se tudo, é possível que o resultado ainda seja mais negativo que positivo.


Autor: Fernando Silva - Adaptado por: Raphael Oliveira

Trecho inicial adaptado de artigos de Judith Hayes

terça-feira, 11 de outubro de 2011

As origens do Deísmo



Durante o século XVII o protestantismo desenvolveu um sistema ortodoxo de doutrina para ser aceito intelectualmente. Gerando assim um novo escolasticismo, particularmente entre os luteranos da Alemanha, os quais estavam mais interessados na teologia do que na prática da vida cristã.

O racionalismo aparece então, e se desenvolve nos séculos XVII e XVIII, se expressando através do deísmo como resposta a este escolasticismo. O deísmo criou um sistema de fé num Deus transcendente que abandonou sua criação ao governo das leis naturais descobertas pela razão. Deus se torna ausente. Para o deísmo Deus está acima e além da Sua criação.

Seus Ensinos

O deísmo parecia estabelecer uma religião ao mesmo tempo natural e científica. Uma religião sem revelação escrita, enfatiza o céu como uma realidade totalmente distinta da terra com a lei moral. Os deístas ensinavam que as leis naturais da religião eram encontráveis pela razão - era a crença num Deus transcedente entendido como Causa Primeira de uma criação marcada pelas seqüências de um plano. Eles criam que Deus deixou sua criação reger-se por leis naturais; assim, não havia lugar para milagres, nem para a Bíblia como revelação de Deus, nem para providência ou para Cristo como um Deus-homem. Somente Deus deveria ser cultuado pois Cristo era simplesmente um mestre. A piedade e a virtude eram o culto mais importante que se podia prestar a Deus, cujas leis éticas estão na Bíblia. O homem tinha que arrepender-se do erro e viver conforme as leis éticas, pois a alma é imortal e está sujeita a recompensa ou ao castigo depois da morte.

Líderes do movimento

Edward Herbert, Lord de Cherbury (1583-1648), apresentou os pontos básicos que pode ser resumido na seguinte frase: Deus existe, e pode ser cultuado pelo arrependimento e por uma vida de tal modo digna, que a alma imortal possa receber a recompensa eterna em vez do castigo. Charles Bloynt (1654-1693) foi outro deísta influente. John Tolarndt (1670-1722), Lorde Shaftesbury (1671-1713) e outros pregaram que o cristianismo não era um mistério e poderia ter sua autenticidade verificada pela razão. E tudo que não pudesse ser provado pela razão deveria ser recusado.

Difusão do deísmo

No século XVIII difundiu-se na França, pois encontrou nos filósofos deste século um ambiente propício. Alguns deístas ingleses., como Herbert e Shaftesbury, foram à França e tiveram seus livros traduzidos e publicados amplamente; e também alguns deístas franceses, entre os quais Rousseau e Voltaire, também foram à Inglaterra. O deísmo de Rousseau foi desenvolvido no Emile e o de Voltaire está em todos os seus escritos contra a Igreja e a favor da tolerância.

A imigração de deístas ingleses, a divulgação dos escritos deístas e a presença de oficiais deístas do Exército Inglês nos Estados Unidos durante a guerra de 1756-.1763, ajudaram a introduzir o deísmo nas colônias. “A Idade de Razão”, de Paine, (1795), contribuiu para popularizar essas idéias deístas.

O deísmo fracassou, pois o mesmo foi muito criticado, dezenas de livros foram escritos nos quais se discutiam suas teses. Porém, o que por último fez com que o deísmo perdesse o ímpeto foram os ataques do filósofo escocês David Hume.
O termo deísta tornou-se raramente utilizado, mas as crenças deístas, suas ideias e influências não. Elas podem ser vistos no século XIX na teologia liberal britânica e na ascensão do Unitarianismo, que adotou muitas das suas crenças e ideias. Mesmo hoje, há um número significativo de sites deístas.

Vários fatores contribuíram para um declínio geral na popularidade do deísmo, incluindo:o surgimento, crescimento e propagação do naturalismo e do materialismo, que foram ateístas; os escritos de David Hume e Immanuel Kant (e mais tarde, Charles Darwin), que aumentaram dúvida sobre o argumento da primeira causa e do Argumento Teleológico, transformando muitos (embora não todos) potenciais deístas ao ateísmo ou panendeísmo; perda de confiança em que a razão e o racionalismo poderiam resolver todos os problemas; críticas de excessos da Revolução Francesa; críticas que o livre pensamento levaria inevitavelmente ao ateísmo;
uma campanha antideísta e anti-razão de alguns clérigos cristãos para caluniar o deísmo e equipará-lo com o ateísmo na opinião pública;
revivalismo de movimentos cristãos que afirmavam que uma relação pessoal com uma divindade era possível.

OBS: " A palavra (deísmo, observação nossa) vem do latim Deus, 'deus'. Os socinianos introduziram o termo no século VI. Porém, veio a ser aplicado a um movimento dos séculos XVII e XVIII, que enfatizava que o conhecimento sobre questões religiosas e espirituais vem através da razão, e não através da revelação, que sempre aparece como suspeita e como instrumento de fanáticos e de pessoas de estabilidade mental questionável. 1. Essa circunstância outorga-nos a característica básica do deísmo: um conhecimento adquirido através da razão, e não através da revelação. A isso chamamos de religião natural, em contraste com a religião sobrenatural…" (R.N. CHAMPLIN. Deísmo. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.2, p.38).

sábado, 8 de outubro de 2011

Estamos Sozinhos?

Texto: Marcos Silva

Essa é uma pergunta interessante, ao mesmo tempo difícil de responder, algumas pessoas confundem os dias atuais sendo marcas de profecias ou de tragédias anunciadas, graças há globalização temos noticias em tempo real, lembro-me da tragédia do Japão sendo noticiada em todos os canais de TV, internet, rádio etc.

Algumas pessoas esquecem,  principalmente os profetas de plantão, que não é por que temos grandes tragédias sendo mostradas atualmente, que no passado não foi assim, a relação entre a atualidade e o passado não deve ser exposto como forma de profecia, visto que no passado ocorreram tragédias bem piores do que temos vistos atualmente.Bom voltando ao tema principal deste artigo, indago-me e arrogo-me no direito de dizer que estamos sim sozinhos.Não existe um deus como imagina algumas religiões, que protege uma nação em detrenimento de outra, essa idéia de um Deus paternalista é a principal causa das guerras, e não preciso citar Israel e Palestina como prova preciso.

Às vezes me questiono se existe algum tipo de vida mais inteligente que a nossa, e chego há conclusão que não só existe vida mais inteligente que a nossa, como pode  existir vida pior que  a nossa, basta olhar o noticiário diário para ver as centenas de crueldades  que o homem(animal) comete com o seu semelhante, o mesmo homem que tem a coragem de gritar Deus(Não o verdadeiro) é sua imagem e semelhança.

Reafirmo categoricamente que ninguém, digo ninguém irá salvar o planeta de nossas atitudes,somente nós somos responsáveis pelos nossos atos, e como tal responderemos por eles,para mim como deista que me tornei ao analisar a natureza e estudar profundamente a origem de ganância humana por poder, chego a conclusão que realmente estamos sozinhos, e se não nos amadurecermos como animais racionais e entendermos que só temos nossa família, nossos amigos,e que o criador e mantenedor das forças que rege o Universo como gosto de chamá-lo “Gerente Universal” tem coisas mais importante para se preocupar do que nossa pequena espécie em desenvolvimento, podem acreditar, realmente estamos bem sós.

Mais ainda estamos bem servidos, temos um lindo planeta, temos a tecnologia e temos algo que é mais valoroso do que todas as coisas, A Vida, e para finalizar só precisamos amar uns aos outros, somente através de ações efetivas com o nosso próximo, entenderemos que não estamos tão sós como imaginamos.
Amadurecer talvez seja aceitar isto.

Sem mais, Até a próxima.


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Notas.
«O único sentido preciso da palavra «natural» é a qualidade de ser «estabelecido, fixo ou estável»; por isso tudo o que é natural exige e supõe qualquer factor inteligente para o tornar tal, Isto é, para o produzir continuamente ou em intervalos determinados, enquanto que tudo o que é sobrenatural ou miraculoso é produzido uma só vez, e de um só golpe.»
BUTLER, «Analogy of Revealeci Religion».

«Para concluir, não deixeis crer ou sustentar, devido a uma ideia muito acentuada da fraqueza humana ou a uma moderação mal entendida, que o homem pode ir longe ou ser instruído com a palavra de Deus, ou com a do livro das obras de Deus, isto é, em religião ou em filosofia; mas que todo o homem se esforce por progredir cada vez mais numa e noutra, e tirando disto vantagem sem jamais Parar.»
BACON, «Advancement of Learning».


paternalista

adj. 2 g.

1. Relativo ao paternalismo.

s. 2 g.

2. Pessoa que defende ou pratica uma atitude ou regime paternalista.



Definições Deístas





Texto: Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)
Editado por: Raphael Oliveira

A definição a seguir é do Enciclopédico Dicionário Webster, de 1941, uma fonte não-deísta, como: "Do latim Deus, Deus [... Deidade] A doutrina ou credo de um DeístaDeísta é definido como: Aquele que acredita na existência de um Deus, ou ser supremo, mas nega a religião revelada, baseando a sua crença à luz da natureza e da razão”.  

Concise Encyclopedia BritannicaDeísmo. Crença em Deus baseada na razão e não na revelação, ou a ensino de qualquer religião específica. Uma forma de religião natural, o Deísmo surgiu na Inglaterra no início do século XVII como uma rejeição do Cristianismo Ortodoxo. Os deístas afirmaram que a razão poderia encontrar provas de Deus na natureza, e que Deus havia criado o mundo e, em seguida, deixou para operar sob as leis naturais que ele tinha imaginado. O filósofo Eduardo Herbert (1583 - 1648), desenvolveu este ponto de vista em A Verdade” (1624).Até o final do século XVIII, foi o Deísmo a crença dominante na atitude entre classes cultas da Europa, que foi aceito por muitos.  

Deísmo é a crença em Deus, baseado nas leis e projetos que são encontrados na natureza, tal como aplicado por nossa razão e lógica. Deísmo tem muito a oferecer a você e à sociedadeDeísmo é uma religião natural, não é um "revelado", a religião que todos alegam ter recebido uma revelação de Deus. Suas diversidades e os conflitantes Livros Sagrados são baseados nessas revelações, e muitos de seus seguidores sinceros, realmente têm fé em, e acreditam nos mesmos.

Ao abraçar a religião natural do Deísmo, um é livre das inconsistências da superstição e as influências negativas de culpa, medo e ganância, tão fortemente representados no "revelado" religiões do judaísmo, cristianismo e islamismo. A razão e a lógica dada por Deus vão superar a busca de mitos e religiões reveladas por dogmas, o que levará ao progresso social e pessoal.  

Thomas Paine (1737 - 1809)fez mais do que um outro indivíduo para trazer Deísmo a todos. Posso recomendar o livro "A Idade da Razão", como uma leitura obrigatória. Algumas perguntas freqüentes sobre Deísmo: 

Deísmo é uma forma de ateísmo? Não. Ateísmo ensina que não há Deus. Deísmo ensina que existe um Deus, mas rejeita as "revelações" das “religiões reveladas”.

Qual é a base do DeísmoRazão e as revelações da natureza em todo o Universo.

Qual é a diferença entre Deísmo e outra religião? Como afirmado anteriormenteDeísmo rejeita as revelações" das religiões reveladas”Deísmo não tem "Livros Sagrados" que promovem a culpa, medo e ganância para segurar seus convertidos. Não há necessidade de um sacerdote, pregador, ou rabino. O único bom senso é a razão e a lógica. Deísmo ensina que devemos fazer o que é certo, simplesmente, porque é a coisa certa a fazer. Deísmo não finge que sabe o quê, se alguma coisa acontece conosco depois que nossos corpos morrem.

Os deístas creem que Deus criou o Universo e depois só deu um passo atrás. Alguns deístas fazem, enquanto outros acreditam que Deus pode intervir nos assuntos humanos. 

Deístas oramDeístas só oferecem preces de agradecimento, eles não ditam a Deus. 

Deísmo é um culto? Porque Deísmo ensina a auto-suficiência e de questionar a autoridade, é impossível para o Deísmo a ser considerado uma seita. 

Qual é a visão deísta respeito de Deus? Deus é visto como uma entidade eterna, que é igual à sua vontade. 

Deísmo tem uma vista sobre todo o mal no mundo hoje? Ao abraçar nosso poder dado por Deus da razão e da lógica, muito do mal no mundo de hoje poderia ser superada. Muitos acham muito mais fácil acreditar que não somos responsáveis ​​por nossas ações, como no caso do "revelado" das religiões, que acreditam que tudo é controlado por um poder superior, ao invés de fazer o trabalho duro necessário para obter sucesso em nossos empreendimentos e vida cotidiana. 

Princípios deístas: 

deísta observa princípios ao longo das mesmas linhas que os Dez Mandamentos, no entanto, eles não são reivindicados, vêm de Deus. Eles são sim uma maneira de viver a vida ao máximo com base na razão e na lógica. Em todos os aspectos da vida e, independentemente da idade que sejam aplicáveis ​​a adultos e crianças igualmente para que se possa viver uma vida de preenchimento, sem o medo de recompensa e punição.  
Honra e louva ao Criador de uma forma que lhe convier. 
Trate os outros com dignidade e respeito, e insistir para que os outros te tratam com respeito e dignidade, bem comoViva a vida de forma pragmática e usar a razão e a lógica como a base para tudo que você pensar, fazer e dizer. 
Seja honesto e não mentir, enganar ou roubar nas suas relações com os outros. 
Manter a fé em si mesmo. 
Assumir a responsabilidade por suas ações. 
Não causar danos a outra, exceto em defesa de si mesmo ou entes queridos. 
Trate os outros como deseja ser tratado. 
Aprenda com os erros que você faz na vida. 
Honra a teu pai, sua mãe e seus entes queridos e ser fiel a eles. 
Questione a autoridade quando não é razoável nem lógico. 
Encontre a inspiração, beleza e reverência à criação e à ordem natural do Universo. 
Busca da verdade e estar dispostos a aceitar novas ideias baseadas na razão e na lógica de como você fica exposto a eles.
 

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